A representação feminina do Ceará na Câmara dos Deputados completa, em 2026, 40 anos de história. A trajetória começou em 1986, quando Moema São Thiago, eleita pelo PDT com 83.341 votos, tornou-se a primeira mulher cearense a conquistar um mandato de deputada federal.
Foto: Câmara dos Deputados
Moema integrou a Assembleia Nacional Constituinte e participou da elaboração da Constituição Federal promulgada em 5 de outubro de 1988. Em 1990, Moema tentou, mas não conseguiu se reeleger. A votação foi inexpressiva: 12.308 votos.
SEGUNDA VOZ FEMININA
A eleição de 1990 foi marcada pela estreia de outra voz feminina do Ceará em Brasília: Maria Luiza Fontenele (PT). Professora, deputada estadual, Maria foi eleita, em 1985, prefeita de Fortaleza, sendo a primeira mulher a comandar uma capital brasileira. Após deixar o cargo de prefeita, entrou na disputa e conquistou uma vaga na Câmara Federal.
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APAGÃO
Após as eleições de 1986 e 1990, o Ceará enfrentou, nos pleitos de 1994, 1998 e 2002, um apagão na representação feminina. Em 2006, o espaço é reconquistado, com a eleição de Gorete Pereira (PFL). Após a passagem pelo PFL, Gorete ingressou no PR e, hoje, está no MDB.
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Gorete renovou o mandato em 2010 e 2014, quando Luizianne Lins (PT) também conquistou uma vaga na Câmara Federal, ampliando a presença feminina da bancada cearense. Em 2018, Luizianne foi reeleita e permaneceu como a única deputada federal cearense durante a legislatura iniciada em 2019.
Foto: Câmara dos Deputados
MAIOR REPRESENTAÇÃO EM 2022
O Estado alcançou, em 2022, sua maior representação feminina ao eleger Luizianne Lins, Fernanda Pessoa e Dayany do Capitão entre os 22 deputados federais. A legislatura 2023-2027 teve, também, outras três mulheres que assumiram mandatos como suplentes – Enfermeira Ana Paula e Priscila Costa (PL)* e Eliane Braz (PSD). Ana Paula era suplente do PDT e, hoje, é filiada ao Solidariedade.
Luizianne Lins, Fernanda Pessoa e Dayany do Capitão
Suplente Ana Paula
Suplente Priscila CostaSuplente Eliane Braz
PRISCILA GANHA VAGA
A bancada do Ceará sofreu, em 2026, mudanças com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinar a retotalização dos votos. A decisão foi adotada porque os votos atribuídos ao então candidato Heitor Freire (União Brasil) foram anulados por irregularidades na prestação de contas da campanha.
Heitor Freire/ Foto: Câmara dos Deputados
Sem os 48.888 votos de Heitor Freire, o União Brasil emagreceu e perdeu uma vaga: Daynny do Capitão – 4ª vaga da bancada do União Brasil nas eleições de 2022, perdeu a vaga para Priscila Costa.
Priscila Costa e Dayany do Capitão
Ao longo dessas quatro décadas, apenas 8 mulheres conseguiram ser eleitas, de forma direta, deputadas federais pelo Ceará. O número é modesto mesmo sendo a população feminina majoritária entre os 6.998.494 eleitores. Para as Eleições 2026, entretanto, o cenário é mais promissor.
O aumento do número de candidatas competitivas, os maiores investimentos dos partidos por meio do Fundo Eleitoral e o fortalecimento da participação política das mulheres alimentam a expectativa de que o Ceará possa ampliar significativamente sua bancada feminina em Brasília, consolidando um novo capítulo na história da representação política do Estado. Os cálculos apontam que o Ceará elegerá, em 2026, seis ou sete mulheres deputadas federais.
TRAJETÓRIA FEMININA DO CEARÁ NA CÂMARA FEDERAL
ANO
DEPUTADA FEDERAL
1986
Moema São Thiago
Moema São Thiago
ANO
DEPUTADA FEDERAL
1990
Maria Luiza Fontenele
1994
—
1998
—
2002
—
Maria Luiza Fontenele
ANO
DEPUTADA FEDERAL
2006
Gorete Pereira
2010
Gorete Pereira
Gorete Pereira
ANO
DEPUTADAS FEDERAIS
2014
Luizianne Lins e Gorete Pereira
Luizianne Lins
Gorete Pereira
2018
Luizianne Lins
Luizianne Lins
ANO
DEPUTADAS FEDERAIS
2022
Luizianne Lins • Dayany do Capitão • Fernanda Pessoa
Luizianne Lins
Dayany do CapitãoFernanda Pessoa
(*) Daynny perdeu a vaga para Priscila Costa (**) Como suplentes passaram pela Câmara Federal