Racha no PL acirra disputa na base evangélica e coloca Ciro Gomes e Eduardo Girão na briga pelo apoio bolsonarista no Ceará

A disputa interna no PL do Ceará ganhou novos contornos e expõe um racha cada vez mais profundo dentro da legenda, especialmente entre lideranças da base evangélica. O embate envolve não apenas o posicionamento do partido na sucessão estadual de 2026, mas, sobretudo, a definição dos nomes que disputarão o Senado Federal.

De um lado, o grupo liderado pelo deputado federal André Fernandes defende uma aliança do PL com o pré-candidato ao Governo do Estado, Ciro Gomes (PSDB). Como contrapartida ao apoio, André trabalha para viabilizar a candidatura do pai, o deputado estadual e pastor Alcides Fernandes, a uma das vagas ao Senado.

OUTRO LADO

O campo oposto a André Fernandes, que é integrado por lideranças ligadas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, articula um caminho diferente para o partido. O grupo busca aproximar o PL do senador Eduardo Girão (NOVO), pré-candidato ao Governo do Ceará, e defende o nome da deputada federal Priscila Costa para a disputa ao Senado.

Priscila, que possui forte atuação junto ao segmento evangélico, conta com o respaldo político de Michelle e passou a ser apontada como uma das principais representantes do bolsonarismo no Ceará.

NOVO E PSDB DE OLHO

Os repórter Isac Rancine e Carlos Silva, ao participarem, nesta terça-feira (23), do Jornal Alerta Geral, abordam as nuances que marcam a caminhada do PL rumo às eleições de 2016 no Ceará. O racha no partido está configurado e pauta a agenda da oposição ao Palácio da Abolição.

Isac Rancine
Carlos Silva

A crise interna é acompanhada com atenção por dirigentes do PSDB e do NOVO. Os tucanos aguardam a definição do PL para saber se a legenda integrará, de fato, o palanque de Ciro Gomes.

GIRÃO SOBE O TOM

De olho no eleitorado conservador e bolsonarista, Eduardo Girão elevou o tom das críticas ao grupo comandado por André Fernandes. O senador afirmou que Priscila Costa estaria sendo preterida dentro do partido em razão de um projeto político familiar.

“O projeto do lado de lá é totalmente familiar”, acusa Girão, em referência ao deputado André Fernandes e ao pastor Alcides.

Ao defender a participação de Priscila na chapa majoritária, Girão destacou o perfil da parlamentar e afirmou que ela reúne as características necessárias para exercer um mandato independente no Senado.

“Priscila seria um sonho de ver na chapa, porque tenho certeza de que ela não seria engolida pela máquina de triturar do Senado. Ela tem altivez e demonstra isso em todos os mandatos que exerceu, seja na Câmara Municipal, seja na Câmara Federal. Ela não se deixa intimidar”, afirmou.

Com o avanço das articulações para 2026, a disputa pelo comando da base evangélica e pela hegemonia do eleitorado bolsonarista promete intensificar ainda mais o racha interno no Partido Liberal no Ceará.

Lideranças estaduais do PL tentam, em meio aos conflitos internos, administrar a agenda a ser cumprida, no dia 10 de julho, em Fortaleza, pela ex-primeira-dama Michele Bolsonaro e pelo pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.

Durante o encontro, o PL apresentará os nomes de candidatos e a candidatas à Assembleia Legislativa, às Câmara Federal e ao Senado. Há expectativa de que, nessa data, o PL sinalize qual rumo adotará na disputa ao Governo: se irá fechar aliança com o PSDB ou com o NOVO.