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Apesar da aparente paralisia do PSDB em relação à permanência ou não no governo de Michel Temer, o movimento a favor do desembarque ganhou força nos últimos dias.

Vozes ativas em favor da manutenção dos quatro ministros tucanos no governo passaram, reservadamente ou não, a engrossar o coro dos favoráveis a que eles deixem seus cargos.

Uma das leituras feitas é que a permanência acabou abrindo novo racha interno no partido. Os ministros, ao fincarem pé na Esplanada, passam a ser alvejados como se estivessem lá por apego ao cargo, afirmou um dos tucanos que mudou de ideia e pediu para não ser identificado.

Para ele, as movimentações têm sido dadas mais de olho em 2018 do que na situação concreta do país.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi um dos que expressaram essa nova posição. No domingo (9), afirmou que não via “nenhuma razão para o PSDB participar do governo” depois que as reformas trabalhista, previdenciária e política fossem votadas. Nessa terça-feira (11), mudou o tom.

“Cada vez vai ficando mais claro que não há necessidade de o partido ter pessoas no governo, por mais gabaritadas que sejam, por mais preparadas que sejam, para poder ajudar o Brasil e ajudar o povo brasileiro nesse momento difícil”, disse Alckmin em Ribeirão Bonito (SP).

O governador do Paraná, Beto Richa, disse à Folha que “não há dúvida, está cada dia mais claro, que o movimento, a corrente pelo afastamento do governo tem crescido”.

Ele próprio suavizou o discurso em defesa da permanência do PSDB na base de Temer. Em reunião de líderes tucanos na segunda (10) no Palácio dos Bandeirantes, Richa disse que “defendeu independência em relação ao governo, sem apoio incondicional”.

O governador paranaense, contudo, minimizou a importância da permanência dos ministros do partido no governo. “Não foram indicações do PSDB”, afirmou ao justificar que “não vê problema” em permanecerem em suas cadeiras.

A decisão sobre o papel do PSDB ganhou importância diante da iminência da votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara da admissibilidade ou não de denúncia contra Temer.

Dos sete deputados tucanos no colegiado, são esperados cinco ou seis votos contra o presidente.

“Muitos partidos da base, senão todos os outros da base, trocaram deputados a favor da admissibilidade. O PSDB não vai mexer em nenhum. Na realidade, o partido já tem se comportado de maneira independente”, afirmou Richa.

FARPAS

A reunião de tucanos na segunda-feira teve momentos de tensão. De acordo com o relato de três pessoas presentes, o presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (CE), chegou a ameaçar deixar o posto.

Ele reagia a críticas feitas pelo presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, que, à coluna “Painel”, da Folha, disse que declarações individuais de que o governo Temer está próximo do fim “desrespeitam a decisão tomada pela Executiva”.

“Eu disse isso mesmo e mantenho”, afirmou Aníbal à reportagem. Tasso não retornou o contato.

Na saída, em entrevista a jornalistas, o presidente interino então anunciou que o partido fará uma convenção para definir seu comando de forma definitiva. A sua fala foi recebida com surpresa porque não houve acordo sobre isso na reunião.

Outro momento de tensão se deu quando, de acordo com os relatos, o prefeito de São Paulo, João Doria, voltou a defender a saída definitiva do senador Aécio Neves da presidência do partido, da qual está afastado, por acusações de corrupção.

Mostrando o aparelho celular, Doria disse que o partido tem de estar conectado com a população e defendeu a posse definitiva de Tasso.

Aécio respondeu, segundo os presentes, que ele não se preocupasse, que jamais prejudicaria o partido, e o tema estava fora da pauta.

Crédito da Folha de S.Paulo