Recesso começa, mas clima no Congresso segue hostil após operação da PF atingir deputados

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O recesso parlamentar de fim de ano já começou, mas o tradicional clima de Natal, com mensagens de paz e harmonia, está longe de prevalecer no Congresso Nacional. O ambiente entre governistas e oposicionistas segue marcado por forte tensão, agravada após uma operação da Polícia Federal que mirou dois deputados federais, ampliando o embate político às vésperas do encerramento de 2025.

A ofensiva elevou o tom do confronto depois da reação do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), que deixou claro que a oposição pretende retrucar o avanço das investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente no contexto do escândalo envolvendo o INSS.

A operação da PF identificou a movimentação de R$ 27 milhões nos últimos cinco anos, sem origem e destino claramente identificados, envolvendo quatro assessores de Sóstenes Cavalcante e do deputado Carlos Jordy (PL-RJ). Segundo a investigação, os recursos circularam por locadoras de veículos com indícios de empresas de fachada, em possíveis esquemas de lavagem de dinheiro e uso irregular da cota parlamentar.

Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, a operação determinou a quebra de sigilos bancário, telefônico e telemático, além de busca e apreensão em imóveis dos parlamentares e de assessores. Os dados também foram compartilhados com a Receita Federal. Na residência de Sóstenes, a PF encontrou R$ 430 mil em dinheiro vivo.

O primeiro a reagir foi Carlos Jordy, que criticou a realização da busca no dia do aniversário da filha e negou irregularidades. Ele afirmou que aluga veículos da mesma empresa desde o início do mandato e rejeitou a acusação de uso de empresa fantasma. “Vai ser mais um instrumento de ânimo para enfrentar a ditadura do Judiciário”, declarou, ao divulgar a decisão de Flávio Dino nas redes sociais.

Já a reação de Sóstenes Cavalcante avançou diretamente sobre o presidente Lula. Em sua única manifestação até o fim da manhã desta sexta-feira, o parlamentar publicou mensagem questionando vínculos familiares do presidente. No relatório da PF que embasou a operação, é citado um depósito de R$ 300 mil feito por Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, para uma amiga de Fábio Luís da Silva, filho mais velho de Lula. Não há indícios, porém, de que o recurso tenha sido destinado a Fábio Luís.

Na quinta-feira, Lula foi direto ao comentar o caso: “Se tiver filho meu envolvido, deve ser investigado”. Ainda assim, para a oposição, a disposição pública do presidente não é suficiente para dissipar suspeitas. Desde o início do escândalo do INSS, o Palácio do Planalto tem ressaltado que as investigações foram iniciadas por órgãos do próprio governo, especialmente pela Controladoria-Geral da União (CGU), e que os desvios teriam começado na gestão de Jair Bolsonaro.

O governo, no entanto, enfrenta críticas por não ter promovido uma reformulação mais ampla no Ministério da Previdência. Carlos Lupi deixou o cargo, mas foi substituído pelo deputado Wolney Queiroz (PDT-PE). O novo ministro afirmou que só conheceu o secretário-executivo Aldroaldo Portal ao assumir a pasta, o que, nos bastidores, alimenta a avaliação de que estruturas internas ligadas a lideranças do PDT, como o senador Weverton Rocha, teriam sido preservadas.

Mesmo em recesso, o Congresso encerra o ano sob um clima de confronto aberto, indicando que a trégua natalina não será suficiente para esfriar o embate político que deve marcar o início de 2026.