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Os atuais deputados federais que entrarão na briga por um novo mandato terão mais vantagens em relação aos concorrentes que brigarão, pela primeira vez, por uma vaga nas Assembleias Legislativas ou na Câmara Federal. Isso, porque, os partidos irão garantir aos atuais parlamentares uma boa quota de recursos para reelegê-los e, com isso, manter um volume expressivo do Fundo Partidário. Quanto maior o número de representantes na Câmara Federal, maior é a fatia de uma sigla no Fundo Partidário.

Uma das estratégias dos partidos é garantir aos atuais deputados mais visibilidade com nas redes sociais e na propaganda partidária, assim, como na propaganda de rádio e televisão no período da campanha eleitoral de 2018. Soma-se a esses aspectos que os detentores de mandato ganharão, também, atenção especial sobre a divisão dos recursos distribuídos pelos Diretórios Nacionais e Estaduais dos Partidos entre os candidatos majoritários e proporcionais.

O deputado federal Cabino Sabino que, em 2014, foi eleito deputado federal pelo PR, está se transferindo para o PHS que o garantiu apoio na reeleição. O PHS quer ampliar o número de deputados federais. Muitos partidos irão direcionar os recursos eleitorais em 2018 para campanhas de candidatos que já tenham mandato político.

Uma reportagem do Jornal O Estado de São Paulo, edição deste sábado, mostra que, com recursos limitados – o fundo eleitoral terá R$ 1,7 bilhão – e um período menor de propaganda gratuita, os partidos avaliam que precisam concentrar a estratégia em quem já é conhecido para garantir a eleição. A contramão da expectativa de que as novas regras eleitorais, aprovadas no fim de setembro no Congresso, pudessem acelerar uma renovação na política.

O cenário começou a se desenhar nesta semana, com a aprovação do Orçamento da União de 2018, que manteve o atual montante de recurso público destinado a financiar as campanhas. Sem perspectiva de aumentar esse valor, as maiores legendas já começaram a discutir como vão dividir o bolo internamente. Partidos como PT, PSDB, PSB, PDT e DEM vão priorizar aumentar suas bancadas para a próxima legislatura.

Segundo a reportagem do Estadão, no caso da propaganda no rádio e na TV, pela primeira vez, candidatos aos governos estaduais e à Presidência da República se apresentarão aos eleitores, em rede nacional, somente a partir de 1.º de setembro. O primeiro turno das eleições está marcado para 7 de outubro. Em 2014, a propaganda começou em 19 de agosto.

“A campanha eleitoral começa mais tarde e vai priorizar os que têm mandato. Essa é uma vantagem comparativa grande. Todos eles vão ter menos votos do que tiveram na eleição passada, mas vão se eleger porque terão mais condições do que os novos (na política)”, disse o diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz.

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, disse que vai reservar pelo menos R$ 500 mil para cada um dos deputados da bancada na Câmara, que hoje tem 16 parlamentares. Esse valor poderá ser maior, caso haja espaço orçamentário. A sigla deverá receber cerca de R$ 67 milhões do fundo eleitoral, além dos recursos do Fundo Partidário.

Esse cenário, no qual os recursos para as campanhas já estão predefinidos, deve influenciar até mesmo na decisão dos partidos de lançar ou não candidato à Presidência da República. É o caso do PMDB, que ainda não se definiu sobre uma possível candidatura à reeleição do presidente Michel Temer. Segundo um dirigente peemedebista, se o partido tiver candidato a presidente, sobrará menos dinheiro para dividir entre os candidatos a outros cargos. Essa, portanto, não deve ser a prioridade da legenda.

De acordo com a proposta aprovada na reforma política, caberá à cúpula de cada partido definir como será a distribuição dos recursos do fundo eleitoral. Com isso, algumas legendas estão reavaliando suas normas internas para definir os critérios de divisão de verba.