O Ceará registrou uma redução de 35% na extrema pobreza entre 2023 e 2025, impulsionada principalmente pelo crescimento da renda da população mais vulnerável, fortalecimento dos programas sociais e pelos resultados positivos do mercado de trabalho. O dado faz parte do estudo “A extrema pobreza no Ceará em 2025”, divulgado pela Diretoria de Estudos Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
O levantamento revela que a renda média real dos 10% mais pobres do Estado cresceu 40,6% nos últimos três anos, desempenho que superou amplamente o avanço registrado entre os estratos mais ricos da população.
A pesquisa foi apresentada pelo analista de Políticas Públicas do Ipece, Jimmy Oliveira, durante o seminário “Meu parceiro, meu Brasil, meu IBGE”, realizado em parceria entre o Ipece e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo Jimmy Oliveira, mesmo após a revisão feita pelo Banco Mundial, que elevou a linha internacional de extrema pobreza de US$ 2,15 para US$ 3 por pessoa ao dia, os indicadores do Ceará continuaram apontando queda consistente da pobreza extrema.
O estudo mostra que, entre 2023 e 2025, aproximadamente 453 mil pessoas deixaram a condição de extrema pobreza utilizando o novo critério internacional. Pela metodologia anterior, a redução seria de 415 mil pessoas.
De acordo com o pesquisador, o aumento do número de pessoas enquadradas no novo parâmetro internacional não ocorreu por perda de renda da população mais pobre, mas por uma atualização metodológica adotada pelo Banco Mundial.
“Esse aumento ocorre por causa da correção da linha internacional acima da inflação e não por redução da renda dos mais pobres, que vem crescendo em ritmo superior ao dos estratos mais ricos da população”, destacou.
| Ano | Percentual da população em extrema pobreza | Número estimado de pessoas | Destaques |
|---|---|---|---|
| 2021 | 15% | 1,47 milhão | Pior cenário pós-pandemia |
| 2022 | 10,9% | 1,01 milhão | Forte queda após retomada econômica |
| 2023 | 9,4% | 876 mil | Cerca de 600 mil pessoas saíram da extrema pobreza desde 2021 |
| 2024 | 7,9% | 741 mil | Menor índice da série histórica |
| 2025* | 9,4% | critério revisado | Banco Mundial alterou metodologia internacional |
*Em 2025, houve mudança no critério internacional do Banco Mundial para classificação da extrema pobreza, elevando a linha de renda diária de US$ 2,15 para US$ 3 por pessoa.
O levantamento mostra ainda que a renda média dos 10% mais pobres cresceu a uma taxa anual de 12%, enquanto a renda dos 10% mais ricos aumentou 4,9% ao ano no mesmo período.
Em valores corrigidos para 2025, a renda média do grupo mais pobre passou de R$ 128 em 2022 para R$ 180 em 2025.
Outro dado apontado pelo estudo é que a proporção de pessoas vivendo em extrema pobreza no Ceará ficou abaixo de 10% pela primeira vez desde 2012, alcançando 9,4% em 2025.
Para o Ipece, os resultados refletem a combinação entre expansão do mercado de trabalho e programas de transferência de renda, entre eles o Bolsa Família, Cartão Ceará Sem Fome e Cartão Mais Infância Ceará.
O diretor-geral do Ipece, Alfredo Pessoa, destacou que os números reforçam o impacto das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da pobreza.
Segundo ele, além da execução dos programas federais, iniciativas estaduais também contribuíram para ampliar a proteção social e reduzir os índices de vulnerabilidade econômica no Ceará.
(*) Com informações da Assessoria de Imprensa do IPECE
