Pacientes que passaram pela remoção do apêndice devido a um quadro de apendicite aguda apresentam um risco menor de desenvolver câncer colorretal do que aqueles tratados apenas com antibióticos. É o que aponta um estudo recente, apresentado no final de setembro no congresso do ACS (American College of Surgeons), em Washington no Estados Unidos.
O estudo retrospectivo, liderado a partir do Departamento de Cirurgia da Morehouse School of Medicine em Atlanta, nos Estados Unidos, utilizou dados da rede global de pesquisa TriNetX Global Collaborative Network, para avaliar mais de 30 mil pacientes que tiveram apendicite aguda.
Eles foram divididos em dois grupos: um de pacientes que realizaram apendicectomia (com 15.616 pacientes) e o segundo daqueles tratados apenas com antibióticos (com 15.295 pacientes).
Os pesquisadores descobriram que o câncer colorretal foi diagnosticado em 110 pacientes submetidos à apendicectomia (0,7%), em comparação com 254 pacientes tratados apenas com antibióticos (1,7%), um risco relativo 58% menor de um diagnóstico de câncer colorretal.
Durante a cirurgia, o apêndice retirado é encaminhado para análise em laboratório, o que permite identificar alterações celulares ou teciduais que passam despercebidas quando o tratamento é realizado apenas com medicamentos.
Além disso, os pesquisadores continuam investigando de que maneira a inflamação e a microbiota intestinal (o ecossistema de bactérias que vivem no trato digestivo) participam desse processo, embora ainda não existam respostas conclusivas sobre esse mecanismo.
Prevenção do câncer colorretal
Segundo especialistas, a prevenção eficaz do câncer de intestino depende de estratégias consolidadas e comprovadas pela ciência:
- Estar atento a sinais de alerta: Sangue nas fezes, alterações persistentes no hábito intestinal (prisão de ventre ou diarreia fora do habitual), dores abdominais frequentes, anemia sem causa aparente e perda de peso inexplicável.
- Fatores de risco modificáveis: Sedentarismo, excesso de peso, consumo frequente de carnes processadas, dieta pobre em fibras, tabagismo e uso abusivo de álcool.
- Exames de rastreio: Diretrizes internacionais recomendam iniciar a prevenção ativa aos 45 anos para a população geral, antecipando o exame em pessoas com histórico familiar ou sintomas.