Rosto deformado, risco de necrose e cirurgias complexas: caso de influenciadora expõe perigo mortal de procedimentos clandestinos

O drama vivido pela influenciadora Juju Oliveira — conhecida como Juju do Pix — reacende um alerta urgente sobre o risco extremo de recorrer a clínicas clandestinas e profissionais sem habilitação para aplicar substâncias supostamente “rejuvenecedoras”.

Em 2017, Juju recebeu óleo mineral no rosto, um produto proibido para fins estéticos e capaz de causar danos irreversíveis ao organismo. O resultado foi uma deformação grave que, anos depois, ainda exige cirurgias complexas para tentar reparar parte do estrago.

ÓLEO ENRIJECIDO

O médico Thiago Marra, responsável pela cirurgia reconstrutora realizada na última quinta-feira (20), detalhou a gravidade da situação.

Segundo ele, o procedimento exigiu extremo cuidado devido ao estado do material encontrado no rosto da paciente. “Foi uma cirurgia muito difícil. A ressonância já mostrava que o óleo mineral estava duro, enrijecido. Precisamos afinar a pele ao máximo, porque, se retirássemos mais, haveria risco real de necrose”, explicou.

CENÁRIO IMPROVÁVEL

Marra revelou ainda que a equipe sequer sabia o que encontraria ao iniciar a intervenção — uma consequência direta do uso de substâncias clandestinas, que se espalham de forma imprevisível pelos tecidos. “Não sabíamos se o produto estava no músculo, perto de um nervo ou de um vaso sanguíneo. Tivemos que descolar toda a estrutura com muita cautela, usando técnicas de cauterização. Foi uma cirurgia de alta complexidade, feita com anestesia local”, relatou.

O procedimento retirou fragmentos endurecidos de óleo mineral, que foram exibidos pelo médico para alertar o público. Mesmo assim, o caminho para a recuperação será longo: “O rosto ainda está muito inchado. A melhora significativa virá, mas o resultado só deve aparecer entre seis meses e um ano”, completou.

NOVAS CIRURGIAS

Juju ainda passará por novas etapas reconstrutoras — um processo doloroso, caro e incerto.

O caso, que ganhou repercussão nacional, reforça um alerta essencial: substâncias clandestinas, aplicadas em locais irregulares, podem causar deformações, infecções graves, necrose e até morte. Óleo mineral, silicone industrial, PMMA e outros produtos ilegais seguem sendo oferecidos em ambientes sem qualquer controle sanitário, atraindo vítimas que buscam resultados rápidos e baratos, e encontrando, muitas vezes, consequências dramáticas e irreversíveis.

A recomendação de especialistas é clara: qualquer procedimento estético injetável deve ser realizado exclusivamente por médicos habilitados, em locais regulamentados, com produtos aprovados pela Anvisa. O preço de uma “promoção estética” clandestina pode ser a própria vida.