O ex-ministro da Previdência Carlos Lupi prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) nesta segunda-feira (9) e negou qualquer envolvimento em irregularidades durante sua gestão à frente da pasta. Lupi, que depôs na condição de testemunha, negou que tenha sido omisso na adoção de medidas contra as fraudes.
O ex-ministro afirmou não ter sido omisso no caso dos descontos indevidos e reiterou que o presidente Lula não tinha conhecimento dos fatos. O depoimento de Carlos Lupi foi antecedido de preocupação, alguns chegaram a chama-lo de bomba-relógio, mas, ao final do depoimento, o pedetista não criou embaraços para o Governo Federal.
SEM CONVIVÊNCIA COM LOBISTAS
Carlos Lupi negou conhecer figuras centrais do esquema, como o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”. Ao ser questionado sobre nomeações, o ex-ministro reconheceu que indicou alguns nomes ligados às áreas investigadas, como Adroaldo da Cunha Portal, ex-secretário do Regime Geral de Previdência. Mas afirmou que a responsabilidade pelos desvios caberia ao INSS, que, segundo ele, é uma autarquia e, portanto, com autonomia em várias decisões.
‘’Errar é humano; eu posso ter errado várias vezes. Má-fé eu nunca tive. Acobertar desvios, nunca fiz na minha vida’’, expôs Carlos Lupi, ao abrir o depoimento à CPMI
Questionado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sobre quando teve conhecimento do esquema, Lupi afirmou que só entendeu a real dimensão das fraudes após o avanço das investigações da Polícia Federal.
‘’A gente, infelizmente, não tem o poder da adivinhação. Nunca tivemos capacidade de dimensionar o tamanho ou o volume do que esses criminosos fizeram no INSS. Foi só depois da investigação para valer, da PF’’, afirmou.
Ele disse que, até então, as denúncias haviam sido arquivadas por falta de provas, como ocorreu em 2016 e 2020. Indagado se teria comunicado o presidente Lula sobre os indícios, respondeu: ‘’Em nenhum momento. Eu não tinha informação suficiente para comunicar’’.
(*) Com informações da Agência Senado
