Mais de 700 pessoas já foram presas ao tentar levar materiais proibidos para dentro de presídios no Ceará desde 2019, segundo balanço apresentado pelo secretário da Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Ceará, Mauro Albuquerque. Desse total, cerca de 500 casos envolvem tentativas de entrada de drogas nas unidades prisionais.
O gestor atribui esse cenário ao alto valor que produtos ilícitos alcançam dentro do sistema. Segundo ele, itens como entorpecentes e celulares são revendidos por preços muito superiores aos praticados fora dos presídios, o que alimenta financeiramente organizações criminosas. Há registros, inclusive, de uso de drones para transportar materiais — mais de 20 operadores já foram detidos, e 38 equipamentos foram interceptados por policiais penais.
Entre as medidas adotadas na gestão estão a restrição à entrada de alimentos e objetos levados por visitantes, conhecidos como “malotes”, além do fim das visitas íntimas e mudanças na estrutura das unidades, como a ausência de energia elétrica nas celas. A justificativa, de acordo com o secretário, é reduzir a circulação de itens que podem ser comercializados internamente.
Ainda segundo ele, a legislação precisa considerar as particularidades do ambiente prisional. Como exemplo, citou que pequenas quantidades de drogas, que fora dos presídios não configuram crime, podem ter valor elevado dentro das unidades e gerar lucro para facções.
Sobre a estrutura do sistema, o secretário destacou mudanças no número de vagas. Em 2019, o Ceará tinha cerca de 32 mil detentos para 10 mil vagas. Atualmente, são aproximadamente 25 mil presos para 18 mil vagas. A previsão é ampliar ainda mais essa capacidade, com a criação de cerca de 5 mil novas vagas, incluindo projetos já em fase de contratação.
Dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará mostram que, em 2025, mais de 35 mil pessoas foram presas no estado, seja em flagrante ou por mandado judicial. Parte dessas ocorrências está ligada a crimes como homicídios e atuação de grupos criminosos.
No campo da ressocialização, a SAP informa que mais de 30 mil internos participaram de cursos profissionalizantes nos últimos anos. Atualmente, cerca de 10 mil detentos trabalham dentro das unidades, em atividades como construção civil, metalurgia e confecção, com apoio de empresas instaladas no sistema prisional. Além disso, aproximadamente 11 mil presos participam de iniciativas educacionais, incluindo projetos de leitura.
O monitoramento de agressores também foi destacado. Hoje, 988 homens investigados ou condenados por violência contra a mulher utilizam tornozeleira eletrônica no Ceará, sendo 243 deles na região do Cariri. Segundo a pasta, o acompanhamento é feito em tempo integral, com uso de tecnologias que impedem a aproximação das vítimas, como alertas e delimitação de áreas de restrição.
