Siará Quilombo encerra ações nos canais do Dragão do Mar, nesta sexta-feira (31)

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Durante todo o mês de julho, os canais de comunicação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura foram ocupados pelo Nóis de Teatro, com intervenções artísticas e ações de visibilidade das produções de artistas e coletivos pretos do Estado do Ceará. O projeto Siará Quilombo – Ocupação Preta do Dragão terá suas ações encerradas nesta sexta-feira (31), quando o grupo lançará ao público a “Sala Preta – Confabulações de um Siará Quilombo”, um encontro virtual com artistas, às 21h, no canal do Dragão do Mar no YouTube (www.youtube.com/dragaodomarcentro). A exibição aberta ao público será direcionada principalmente a gestores, produtores culturais e profissionais da área cultural.

Simulando uma reunião secreta, a exibição autoficcionalizada reproduz um ambiente de livre debate sobre o Siará Quilombo, onde 23 artistas pretos e periféricos abordam preconceito, exclusão, burocracia, estado e política de cultura, entre outros temas que permeiam as vivências de artistas pretos no Ceará. A ação propõe uma reflexão crítica da histórica exclusão estrutural dos processos de expressão, reconhecimento e remuneração artística de corpos racializados. A reunião não ensaiada, além de colocar em pauta casos vividos pelos participantes, evoca anseios e proposições para que as políticas culturais do nosso estado passem a contemplar de forma mais democrática a pluralidade de corpos e subjetividades pretes. A Sala Preta é um convite aberto à autocrítica, mas sobretudo à ruptura dos processos institucionalizados de perpetuação do racismo. Participam da intervenção artistas de múltiplas linguagens: Altemar Di Monteiro, Kelly Enne Saldanha, Samara Silva, Baticum Proletário, Henrique Gonzaga, Viúva Negra, Tatiane Souza, San Cruz, Luiza Nobel, Pedra Silva, Eduardo Afrikano, Gerson Moreno, Doroteia Ferreira, Bruno Sodré, Ksim, Dextape, Ma Dame, Jéssica Lorena, Luis Carlos Shinoda, Carla Hemanuela, Rubéns Lopes, Bicha Poética e Jorge Costa.

De acordo com Natasha Faria, superintendente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, num contexto global importante e urgente de mobilização contra o racismo, o convite para a ocupação dos canais do Dragão parte do reconhecimento da necessidade de abertura das instituições culturais para a crítica e o enfrentamento à reprodução de processos excludentes, bem como para a proposição de ações afirmativas. “Grupo integrado por pessoas negras e da periferia, o Nóis de Teatro é também um grupo com uma maturidade dramatúrgica, potente e disruptiva, e conduziu, com maestria, essas experimentações de conteúdos e formatos durante a ocupação. As ações programáticas do Siará Quilombo serão encerradas, mas estamos certos de que o que foi dito permanecerá ecoando e dando frutos”, afirma a gestora. Para Kelly Enne Saldanha, produtora e atriz do Nóis de Teatro: “O Siará Quilombo foi um desafio para o Nóis de Teatro. Como transformar as redes sociais de uma instituição em um espaço de autocuidado preto, da construção de afeto e visibilidade de inúmeros artistas cearenses? A experiência cênica que esta ocupação nos instigou reverberará ainda em Nóis. Ocupação não, reintegração de posse, como diria nossos amigos da Boomboom Black.”O

Siará Quilombo

Siará Quilombo é um projeto que celebra a força e a potência dos artistas pretes do Ceará a partir do que o Nóis de Teatro chama de “aquilombamento virtual”: arte e comunicação como estratégia de enfrentamento ao racismo. A fim de contribuir com a visibilidade dos/das artistas e coletivos pretes cearenses e ampliar o debate sobre o protagonismo preto na produção cultural brasileira, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC) convidou o Nóis de Teatro para realizar o pensamento curatorial bem como para utilizar os canais de comunicação do Dragão como veículo de expressão artística e debate de pautas pertinentes ao tema. A programação homenageia a memória de Thina Rodrigues, cofundadora e ex-presidente da Associação de Travestis do Ceará (Atrac) e os Cocos de Iguape, dos mestres Raimundo Cabral e Chico Casueira.

A programação foi iniciada no dia 6 de julho, às 21h, com o programa de web tv ao vivo “Siará Quilombo”. A sátira, apresentada pelo ator e comunicador social Henrique Gonzaga e pela atriz e produtora Kelly Enne Saldanha, apresentou o conceito curatorial da programação semanal, além de exibir quadros musicais com a participação de Muriel Cruz Phelipe, entrevistas com o coreógrafo e bailarino Gerson Moreno, e publicidade de empreendedores pretes da cidade.

No dia 13 de julho, aconteceu a roda de conversa “Dramaturgias Pretas”. No bate-papo mediado por Altermar Di Monteiro, Jé Oliveira (Coletivo Negro-SP), Onisajé (Yakekerê no Ilê Axé Oyá L´adê Inan-BA) e Anderson Feliciano (Polifônica Negra-MG) debateram sobre cidade, ancestralidades ou performatividade dos corpos pretos, a fim de ampliar os referenciais e discutir a pluralidade da produção teatral preta contemporânea.

No dia 20 de julho, em comemoração ao primeiro ano do Encontro Estadual de Saraus na Sede do Nóis de Teatro, o Siará Quilombo trouxe o 4º Alvoroço, um sarau virtual aberto para performances artísticas, que contou com participação especial do Sarau da B1 e do Sarau Okupação, coletivos da periferia de Fortaleza.

Na última segunda-feira, dia 27 de julho, a ação “Hacker Quadrado Preto” ganhou grande repercussão nas redes sociais, chegando a ser um dos assuntos mais comentados no Twitter, ao sugerir, com postagens com caracteres dispostos em códigos em fundos pretos, uma possível invasão hacker, gerando a especulação se a ação se trataria, de fato, de um ataque cibernético ou de uma performance artística. Horas depois, o Nóis de Teatro, apresentado como Monstro Marinho, iniciou uma transmissão ao vivo no Instagram do Dragão do Mar, com uma narrativa dramatúrgica que, a partir de um processo de ficcionalização do aplicativo, falava sobre o racismo estrutural e institucionalizado que historicamente perpetua o apagamento e o silenciamento das populações negras do Ceará.

O Siará Quilombo conta com a coordenação de curadoria de Altemar Di Monteiro e produção de Kelly Enne Saldanha e Henrique Gonzaga, que também são apresentadores junto com Bruno Sodré e Doroteia Ferreira; Batuta assume a técnica de vídeo e a interpretação de Libras é feita por Roberto Junior Negão e Grazi Gomes. O Nóis de Teatro é um grupo atuante há 18 anos na periferia de Fortaleza, onde realiza espetáculos, eventos culturais e programas formativos com foco no protagonismo de mulheres, pretes e LGBTs. Repertório atual: “Despejadas”, “Todo Camburão tem um Pouco de Navio Negreiro” e “Ainda Vivas”.

Sala Preta – Confabulações de um Siará Quilombo

Data: 31 de julho de 2020 (sexta-feira)

Horário: 21h

Local: canal do Dragão do Mar no YouTube (www.youtube.com/dragaodomarcentro)

Acesso gratuito e livre

(*) Com informações do Governo do Estado do Ceará

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