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Economia

IGP-M acumula taxa de inflação de 3,08% em 12 meses, diz FGV

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), usado no reajuste dos contratos de aluguel, cadastrou redução da circulação de dinheiro de 0,28% na segunda prévia de setembro deste ano.

A taxa é superior que a da segunda prévia de agosto, quando o IGP-M teve uma deflação mais exorbitante, 0,68%. Os dados foram divulgados hoje (18) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em decorrência da segunda prévia de setembro, o IGP-M acumula inflação de 3,80% no ano e de 3,08% em 12 meses.

Conforme a FGV, alta da taxa da prévia de agosto para setembro foi provocada pelo aumento de dois subíndices. A taxa de inflação do Índice Nacional do Custo da Construção subiu de 0,15% na segunda prévia de agosto para 0,67% na segunda prévia de setembro.

Já a deflação do Índice de preços ao Produtor Amplo, que mede o atacado, teve uma redução de circulação de dinheiro mais controlada no período. Se na prévia de agosto registrou queda de preços de 1,11%, em setembro a deflação ficou mais moderada (-0,52%).

Em contrapartida, o Índice de Preços ao Consumidor, que mede o varejo, teve queda na taxa, ao passar de uma inflação de 0,21% em agosto para uma deflação de 0,05% em setembro.

*(Com informações da ‘Agência Brasil’)

 

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Política Nacional Política

Presidente em exercício Mourão se reúne com empresários brasileiros e alemães em Natal

O 37º Encontro Empresarial Brasil-Alemanha (EEBA), que vai até o dia 17 de setembro, reunirá o presidente em exercício Mourão, com mais de mil empresários brasileiros e alemães, nesta segunda-feira (16), em Natal, para discutir parcerias na relação comercial entre os dois países.

O encontro é organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias Alemãs (BDI), com o apoio da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern).

Atualmente, a Alemanha é o quarto maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás da China, dos Estados Unidos e da Argentina.

Em 2018, a participação alemã na corrente de comércio do Brasil foi de 3,75%. Além disso, 54% dos produtos brasileiros exportados para a Alemanha são industrializados, incluindo máquinas mecânicas, automóveis, máquinas elétricas e produtos farmacêuticos. Sobre às importações, 99% das mercadorias que o Brasil compra do país europeu são bens industriais.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria com os principais investidores brasileiros que investem e exportam para Alemanha, apresentou os principais pontos que precisam avançar na agenda dos dois países. O levantamento foi entregue ao governo brasileiro para subsidiar a reunião da Comissão Mista de Cooperação Econômica Brasil-Alemanha, que ocorrerá no dia 17 de setembro.

Segundo a confederação, as empresas brasileiras também defendem o início das negociações de um acordo para evitar a dupla tributação (ADT) e de reconhecimento mútuo entre os programas brasileiro e europeu de Operador Econômico Autorizado (OEA). O programa concede tratamento diferenciado para operações de comércio exterior que envolvem movimentação internacional de mercadorias. Entre os benefícios oferecidos às empresas certificadas pelos programas estão a simplificação, facilidade e agilidade de procedimentos aduaneiros no país e no exterior.

*(Com informações da Agência Brasil)

 

 

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Esporte Cotidiano

Seleção Brasileira perdeu para Peru em amistoso nos EUA

O Brasil, do técnico Tite, encerrou os preparativos para a Copa do Mundo que será realizada no Qatar em 2022, com derrota para o Peru, no amistoso, realizado em Los Angeles na noite desta terça-feira (11).

O jogo terminou com a vitória Peruana por 1 a 0, após cruzamento na área e a finalização de cabeça por de Luis Abram, aos 40 minutos do segundo tempo. A seleção brasileira sofreu muito no decorrer do jogo para criar jogadas de perigo e o Peru “mais ligado” aproveitou-se da situação para colocar pressão no Brasil e assim encaminhar a vitória.

O amistoso teve um gostinho a mais para os peruanos, pois a equipe conseguiu vingar a derrota na final da Copa América do Brasil (3-1), em julho.

A derrota foi apenas a terceira do técnico do Tite a frente do comando da seleção.

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Esporte

Seleção brasileira goleia Argentina na estréia da técnica Pia Sundhage

Nesta quinta-feira (29), a Seleção Brasileira venceu fácil a Argentina por 5 a 0 no primeiro jogo do Torneio Uber Internacional de Futebol Feminino. O jogo aconteceu no estádio do Pacaembu, em São Paulo, e marcou a estreia da treinadora Pia Sundhage no comando do time feminino. O Brasil venceu com gols de Ludmilla, Formiga e Debinha no primeiro tempo, e Érika e Juncos (contra) no segundo.
Cerca de 13 mil pessoas compareceram no Pacaembu, com presença hegemônica de mulheres na arquibancada. O torneio teve início com a partida entre Chile e Costa Rica, às 19h30 da quinta (29), com vitória das chilenas por 1×0.
No domingo (1), Brasil e Chile, vencedores da primeira rodada, farão a final do torneio amistoso às 13h30, também no Pacaembu. Enquanto Costa Rica e Argentina disputam o terceiro lugar mais cedo.

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Política

França vai se opor ao acordo Mercosul-UE diante da posição do Brasil no clima

O presidente francês Emmanuel Macron acusa o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de mentir sobre seus compromissos com o meio ambiente, durante o G20, e anunciou, nesta sexta-feira (23/8), que, sob essas condições, a França vai se opor ao tratado de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul.

“Dada a atitude do Brasil nas últimas semanas, o presidente da República só pode constatar que o presidente Bolsonaro mentiu para ele na cúpula (do G20) de Osaka”, diz o palácio do Eliseu. Ainda de acordo com o governo francês, “o presidente Bolsonaro decidiu não respeitar seus compromissos climáticos nem se comprometer com a biodiversidade”. “Nestas circunstâncias, a França se opõe ao acordo do Mercosul”, acrescentou a presidência francesa.
O primeiro-ministro da Irlanda também ameaçou votar contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul se o Brasil não respeitar seus “compromissos ambientais”, em meio a críticas ao presidente Jair Bolsonaro pelos incêndios que assolam a Amazônia.
“De maneira alguma a Irlanda votará a favor do acordo de livre comércio UE-Mercosul se o Brasil não cumprir seus compromissos ambientais”, declarou o primeiro-ministro Leo Varadkar em um comunicado divulgado na quinta-feira (22/8) à noite.
Após 20 anos de negociações, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai assinaram recentemente com a UE um Acordo de Associação que inclui seções de diálogo político e comercial. Os países do bloco europeu ainda devem dar seu aval ao texto para permitir sua entrada em vigor, que deve ter a aprovação da Eurocâmara, um procedimento que pode levar dois anos.

Crise mundial 

As queimadas que atingem a Amazônia ganharam repercussão além das fronteiras do país e atingiram status de crise internacional, sobretudo após as críticas do presidente Jair Bolsonaro a entidades ambientalistas. Apesar de dados da Nasa mostrarem que as queimadas nesta época de seca estão na média dos últimos 15 anos, a situação chamou a atenção de líderes mundiais, que alertaram para a necessidade de proteger a floresta
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Esporte

Vôlei sentado do Brasil chega a Lima em busca de vaga para Tóquio

As equipes masculina e feminina de vôlei sentado do Brasil chegam aos Jogos Parapan-Americanos de Lima em busca de medalhas de ouro que também garantem a classificação para a próxima edição dos Jogos Paralímpicos, em Tóquio, no ano que vem.

Segundo o site Agência Brasil,isto acontece porque no Parapan, que ocorre entre 23 de agosto e 1º de setembro, os campeões do vôlei sentado carimbam o passaporte para os Jogos de Tóquio.

Favoritismo entre os homens

Entre os homens, o Brasil pode ser considerado um favorito, pois tem três medalhas de ouros em Parapans. Esta trajetória de conquistas começou na edição de 2007, no Rio de Janeiro. “Em 2007 o objetivo era vencer os Estados Unidos. Na primeira fase perdemos para eles por 3 a 0. Isso foi algo que me machucou muito. E na final foi algo muito legal, pois começamos perdendo por 2 a 0 e fomos buscar dentro de casa. É uma experiência muito linda. O Parapan do Rio abriu muitas portas para o paradesporto. Tudo que conquistamos com o vôlei começou em 2007”, afirma o jogador Gilberto da Silva, o Giba do vôlei sentado.

Com um retrospecto tão positivo o técnico da seleção masculina, Célio Mediato, tem uma preocupação, evitar a acomodação: “A minha grande preocupação é com a acomodação. Isto porque muitos jogadores já estiveram em 2007, 2011 e 2015. Ainda mais com a seleção dos EUA estando em franca evolução, quero alertar meus atletas para não nos acomodarmos. Não é fácil”.

Mulheres buscam ouro inédito

A equipe feminina vive um momento diferente. Não tem que lidar com o risco da acomodação, mas ainda luta pelo ouro inédito em parapans. E o maior adversário é a equipe norte-americana, que derrotou o Brasil na decisão dos Jogos de Toronto, em 2015.

“Os Estados Unidos têm a principal equipe. Que dá aquele medinho ainda. Mas podemos chegar lá e mostrar para elas que treinamos para isto. Que é para conquistar mesmo o ouro”, afirma a jogadora Adria Jesus.

E a possibilidade de conquista da vaga nos Jogos de Tóquio pode funcionar como uma motivação extra na busca do ouro inédito, diz a jogadora Pâmela Pereira: “Temos que chegar de cabeça erguida e mostrar o que estamos treinando. E mostrar que viemos forte para buscar nossa vaga para Tóquio”.

Semelhanças com o vôlei convencional

O vôlei sentado surgiu na década de 1950. Mas chegou ao Brasil apenas nos anos 2000. A modalidade apresenta semelhanças com o vôlei convencional. Em ambos a disputa é em até 5 sets, e também há seis jogadores de cada lado.

Contudo, no vôlei sentado, os atletas são divididos por classes. A classe D (de disable, em inglês) é para os amputados e com maior limitação de locomoção. Já a MD (de minimally disable, em inglês) é para jogadores com deficiência de menor comprometimento. Cada equipe só pode ter dois jogadores MD, e eles não podem estar em quadra ao mesmo tempo. A quadra tem 10 metros de comprimento por 6 de largura. Os saques podem ser bloqueados e atacados, e a altura da rede varia entre 1,15m, para os homens, e 1,05m, para as mulheres.

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Nacional Economia

Brasil pode liderar produção global de petróleo em 10 anos, diz ANP

O Brasil caminha para ser um dos líderes mundiais da produção de petróleo nos próximos 10 anos, disse hoje (30) o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Felipe Kury, durante seminário técnico da 16ª Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios de Petróleo e Gás e da 6ª Rodada de Partilha da Produção do Pré-Sal, no Rio de Janeiro. Além desses, a ANP espera realizar ainda este ano mais dois leilões: de cessão onerosa e de oferta permanente.

O desafio “é ter essa pluralidade de atores e vários ambientes”, afirmou Kury. Para ele, este é “um momento incrível” para o Brasil se tornar líder no setor. Ele acrescentou que essa possibilidade é concreta e real em função da atividade produtiva, que está avançando.

Kury disse que o relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) levantando a possibilidade de conflito devido ao fato de os leilões serem muito próximos não vai alterar o cronograma estabelecido pela ANP, nem a recomendação desta para o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no sentido de manter as datas programadas.

“O TCU está fazendo o trabalho que tem que fazer. Em todas as rodadas, a gente troca muita informação. E é um trabalho que dá robustez ao processo”. Do lado da ANP, disse que está sendo seguida a orientação recebida do CNPE. Além disso, a múltipla oferta de leilões pode viabilizar a participação de uma empresa em um pregão, que não teve condição de dar oferta em outro, ressaltou. “São múltiplas escolhas”.

Kury destacou que foi uma jornada muito intensa a dos últimos dois anos para retomar os leilões. Foram vendidos 72 blocos com arrecadação de R$ 28 bilhões em bônus de assinatura. “É uma demonstração significativa da retomada do processo exploratório de petróleo no Brasil.”

Cronograma

A 16ª Rodada de Licitações de Blocos Exploratórios de Petróleo e Gás e a 6ª Rodada de Partilha da Produção do Pré-Sal têm leilões marcados para 10 de outubro e 7 de novembro, respectivamente. Já o leilão do excedente da cessão onerosa está programado para 6 de novembro. No caso do excedente da cessão onerosa, existe um operador, que é a Petrobras, e a ANP depende de informações da empresa para compor os dados técnicos. O leilão da oferta permanente, composta por campos devolvidos ou em processo de devolução, de blocos exploratórios ofertados em rodadas anteriores e não arrematados e também dos blocos devolvidos à ANP. A operação está programada para 10 de setembro e tem até hoje 47 empresas inscritas.

Felipe Kury destacou que o leilão do excedente da cessão onerosa deverá arrecadar R$ 106 bilhões em bônus de assinatura. “Eu diria que é o maior leilão já visto na história do Brasil”. Por isso, considerou natural que o TCU peça detalhes para garantir que o processo seja feito de forma tranquila. A 16ª rodada tem bônus mínimo estimado de R$ 3,2 bilhões, se todas as áreas forem arrematadas, com R$ 790 milhões de investimento. A 6ª rodada tem bônus de assinatura de R$ 7,8 bilhões. Para a oferta permanente, não há estimativa ainda da ANP.

Inovação

Kury observou que os leilões realizados há dois anos e os leilões previstos para este ano têm um horizonte de 20 a 30 anos para produção e movem toda a cadeia, com a possibilidade de mudar a matriz energética do país, com a injeção do gás natural na matriz. “Pode ser transformacional para o setor químico e para a indústria”. Com a flexibilização das regras de conteúdo local, disse o diretor da ANP, será possível destravar alguns contratos e aqueles que vierem a ser assinados já vêm com as regras novas.

Na expectativa de Kury, essa produção vai gerar recursos para investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), equivalentes a 1% da produção. “Também movimenta toda uma cadeia de serviços e a comunidade acadêmica”.

Ele disse que, tal como ocorreu há alguns anos com a Petrobras investindo na pesquisa de exploração em águas profundas, da qual é líder global, várias outras questões podem ser abordadas com essas verbas geradas pela cláusula de P&D. Nos últimos dez anos, o montante investido em conhecimento somou algo em torno de R$ 13 bilhões. “Agora, deve duplicar ou triplicar nos próximos dez anos”. Estimou que a verba para inovação poderá alcançar R$ 1,8 bilhão somente neste ano.

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Nacional Economia

EUA têm interesse em livre comércio com o Brasil, diz Wilbur Ross

O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, disse hoje (30) na capital paulista que os Estados Unidos têm interesse em fechar um acordo de livre comércio com o Brasil. Ele ressaltou, no entanto, que muitas etapas de negociação comercial ainda precisam ser cumpridas, e não quis estimar o tempo necessário para que o acordo possa ser fechado.

“Muitos componentes são necessários [para se chegar ao acordo]. No entanto, nunca concluímos o tratado de investimento bilateral entre o Brasil e EUA, que seria um precursor lógico de qualquer tipo de Acordo de Livre Comércio. Há muitas coisas no diálogo comercial que precisam ser feitas”, disse em entrevista coletiva após participar de evento, em São Paulo, na Amcham Brasil.

Ross destacou ainda que para o acordo comercial entre o Brasil e os EUA avançar é necessário que os termos do tratado do Mercosul com a União Europeia não criem obstáculos. “É importante que nada no acordo entre Mercosul e União Europeia seja um impedimento para um acordo de livre comércio do Brasil com os Estados Unidos. É importante evitar obstáculos que, inadvertidamente, possam aparecer na transação do Mercosul com a União Europeia”, disse.

Ross tem encontro marcado amanhã, em Brasília, com o ministro da Economia Paulo Guedes. Na manhã de hoje,nos Estados Unidos em conversa com a imprensa, o presidente Donald Trump disse que pretende avançar em um acordo de livre comércio com o Brasil.

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Cidade Cotidiano

ONU elogia Brasil por reconhecer venezuelanos como refugiados

O Brasil aplicou, pela primeira vez, a definição ampliada de refúgio estabelecida pela Declaração de Cartagena para analisar solicitações de reconhecimento da condição de refugiados de venezuelanos e reconheceu, na semana passada, 174 casos com base neste critério. Para a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), tal decisão representa um grande avanço para a proteção de cidadãos da Venezuela que têm sido forçados a deixar seu país.

A decisão possibilita, a partir de agora, a adoção de procedimento simplificado no processo de determinação da condição de refugiado para os venezuelanos e permitirá agilizar a análise dos pedidos. Atualmente, há cerca de 100 mil pedidos ativos feitos por venezuelanos aguardando uma decisão do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare). É o maior número de solicitações por nacionalidade no Brasil.

Entre as razões alegadas pelos solicitantes para deixar a Venezuela e solicitar proteção no Brasil estão a falta de segurança e o aumento da violência ou ameaça de forças estatais ou grupos armados não-estatais, cerceamento da expressão e desrespeito aos direitos humanos – além de falta de alimentos, emprego e medicamentos. A maioria dos pedidos reconhecidos foi feita por mulheres e crianças.

Decisão aplaudida

A decisão do Brasil chega em circunstâncias nas quais a segurança e a situação humanitária na Venezuela continua se agravando, fazendo com que o fluxo de saída do país supere as 4 milhões de pessoas. Dada a deterioração das circunstâncias na Venezuela, a ACNUR tem feito um chamado aos países que recebem venezuelanos para que permitam o acesso ao seu território e aos procedimentos para o reconhecimento da condição do refugiado.

“A magnitude dos atuais fluxos de venezuelanos cria desafios complexos para os países que os acolhem. A maioria possui necessidade de proteção internacional conforme os critérios da da Declaração de Cartagena. A Acnur tem pedido aos países na região que apliquem esta definição ampliada para reconhecer os pedidos dessa população, e esta decisão do Brasil deve ser aplaudida e reconhecida por toda a comunidade internacional”, afirmou o representante da agência no Brasil, Jose Egas.

A aprovação dos casos foi possível após o reconhecimento formal feito pelo Conare, no último dia 14 de junho, de que existe uma situação objetiva de grave e generalizada violação dos direitos humanos na Venezuela. Este critério é inspirado na Declaração de Cartagena, que foi adotada em 1984 pelo Brasil e outros 14 países da América Latina e Caribe.

Novas entrevistas

Os casos aprovados na semana passada são o resultado concreto do trabalho das equipes de entrevistadores do Conare mobilizadas em várias partes do Brasil e apoiadas pela ACNUR, já adotando o modelo simplificado de entrevistas.

Novas entrevistas acontecerão nos próximos meses, permitindo que os casos sejam encaminhados para a análise do Comitê – que funciona sob a presidência do Ministério da Justiça e participação dos ministérios de Relações Exteriores, Economia, Saúde, Educação, da Polícia Federal e de um representante da sociedade civil. A ACNUR participa do Conare com direito a voz, mas sem direito a voto.

“Estamos apoiando o Conare na montagem e operação de forças-tarefa para acelerar a entrevista dos solicitantes da Venezuela e garantir um maior fluxo destes casos ao comitê”, afirmou José Egas.

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Geral

Brasil já reconheceu mais de 11 mil refugiados até 2018, diz Conare

O Brasil contabilizava, em dezembro de 2018, 11.231 refugiados já reconhecidos. Desse total, 72% são homens e 28% mulheres. Naquele mesmo mês, haviam 161.057 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado. Dos refugiados já reconhecidos, 36% são sírios; 15% congoleses; 9% angolanos; 7% colombianos e 3% venezuelanos.

Os dados constam da 4ª edição da publicação Refúgio em Números, divulgada hoje (25) pelo Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) e pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). De acordo com o levantamento há, no mundo, 25,9 milhões de refugiados. Ao final de 2018, cerca de 70,8 milhões de pessoas foram forçadas a deixar seus locais de origem, motivadas por diferentes tipos de conflitos.

Coordenador-geral do Comitê Nacional para os Refugiados, Bernardo Laferté, diz que haitianos, sírios e venezuelanos formam as três ondas migratórias mais recentes no país – Arquivo/Agência Brasil Refugiados

O documento traz os dados atualizados sobre solicitações de refúgio e reconhecimento da condição de refugiado no país, bem como números recentes sobre a conjuntura de refugiados no Brasil e no mundo. Segundo a Acnur, 67% dos refugiados no mundo vieram de três países: Síria (6,7 milhões), Afeganistão (2,7 milhões) e Sudão do Sul (2,3 milhões).

Já os países que mais receberam refugiados foram Turquia (3,7 milhões), Paquistão (1,4 milhão) e Uganda (1,2 milhão). São consideradas refugiadas, pessoas que estão fora de seu país de origem devido a “fundados temores de perseguição relacionados a questões de raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um grupo social específico ou opinião política e não podem ou não querem valer-se da proteção de seu país”, bem como devido à “grave e generalizada violação de direitos humanos”.

Brasil

Em 2011, o Brasil já havia reconhecido 4.035 refugiados, número que chegou a 7.262 em 2014, e a 11.231 em 2018. Segundo o coordenador-geral do Conare, Bernardo Laferté, três ondas migratórias recentes chamam mais atenção no Brasil: a do Haiti, iniciada em 2010; a de Sírios e, mais recentemente, a dos venezuelanos.

“No caso dos haitianos, essa onda migratória se estendeu fortemente até 2016 e, agora, mais recentemente, voltou a ter um número considerável. No caso dos Sírios, a onda ocorreu por eles estarem vivendo um dos maiores conflitos do mundo atual, pelos laços históricos que sua população tem com o Brasil, e pelas facilidades para obtenção de visto, autorização de residência e refúgio”, disse o coordenador.

Já com relação à Venezuela, a onda de migração ocorreu, segundo o coordenador do Conare, “por tudo o que eles têm passado e pela vocação brasileira em acolhê-los, o que já resultou em mais de 10 mil de venezuelanos interiorizados com base no programa do governo federal”.

Apesar de os venezuelanos representarem apenas 3% dos reconhecimentos de refugiados, são eles os que apresentaram maior número de solicitações para a obtenção de refúgio no Brasil. “Em 2018, dos 80 mil pedidos de entrada [no país], 61 mil foram feitos por venezuelanos. No ano anterior, foram feitos 35 mil pedidos, dos quais 17 mil eram de venezuelanos”, informou Laferté.

Critérios

Ele explica que adaptações feitas nos critérios para a obtenção de refúgio tornarão mais fácil a obtenção de refúgio pelos venezuelanos no Brasil. “Isso ficará bastante evidente quando os números referentes a 2019 forem consolidados, já considerando as alterações dos critérios”, acrescentou.

Dos 777 refugiados reconhecidos em 2018, apenas cinco eram venezuelanos. Em 2019, o Conare já reconheceu cerca de 230 deles como refugiados. “Há entendimento de que a Venezuela passa por uma situação de grave e generalizada violação de direitos humanos, o que funciona como critério objetivo da determinação de condição de refugiado desses nacionais. Dessa forma, o processo ficará mais simplificado, e será mais facilitada a determinação da condição de refugiado”, completou o coordenador-geral do Conare.

Os critérios complementares adotados pelo Conare possibilitarão o reconhecimento de refugiados venezuelanos que não tinham, contra si, “fundado temor de perseguição individualizado”, algo que dificultava encontrar fundamento para reconhecer aqueles que fogem de seu país, motivados por desemprego, fome ou questões estruturais.

Das solicitações de refúgio em trâmite no Brasil, 52% são de venezuelanos; 10% de haitianos, 5% de senegaleses, 4% de cubanos, e 3% de sírios. Segundo Laferté, o Conare ainda não analisou casos concretos de médicos cubanos oriundos do programa Mais Médicos, que tenham pedido refúgio no Brasil.

“Nós até identificamos movimento de médicos cubanos após o final do contrato com Cuba, mas ainda não analisamos nenhum caso concreto de médicos cubanos oriundos do programa Mais Médicos”, informou o coordenador.