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O presidente Michel Temer adotou nessa terça-feira, 30, uma nova estratégia ao desafiar opositores que venham a criticar ações de seu governo na corrida eleitoral deste ano. Como as reformas do Ensino Médio e trabalhista, além das medidas do ajuste fiscal. Em uma cerimônia para produtores rurais, em Rio Verde, em Goiás, Temer admitiu que examina o “panorama eleitoral” e fez discurso de candidato, embora negue planos nesse sentido.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto e a cúpula do MDB tentam viabilizar a candidatura do presidente a um novo mandato, mas tudo depende de como o cenário estará até o fim de março. A avaliação no governo é a de que, se a reforma da Previdência passar, não houver outro escândalo atingindo a gestão, a economia der mais sinais de recuperação e Temer conseguir reverter sua impopularidade, ninguém melhor do que ele próprio para defender o seu “legado”.

Centro

No diagnóstico do núcleo político do governo, um candidato de centro será favorecido se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva for impedido de disputar a eleição pelo PT, hipótese hoje considerada mais provável. Na semana passada, Lula foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão, no caso do triplex do Guarujá (SP), pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre. O petista está recorrendo da sentença, mas o partido já decidiu que vai registrar sua candidatura em 15 de agosto, último dia do prazo fixado pela Lei Eleitoral, mesmo se ele estiver preso.

Até agora, as legendas que compõem a base de sustentação de Temer ainda não sabem se haverá ou não um candidato único de centro, como quer o Planalto. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), que acompanhou o presidente no evento em Rio Verde, é pré-candidato, embora Temer não esconda que prefira vê-lo como comandante da economia até o fim do governo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também se movimenta para concorrer à sucessão. No PSDB, o governador Geraldo Alckmin, está em campanha desde o ano passado.

Romero Jucá (RR), líder do governo no Senador e presidente do MDB, disse que a candidatura própria do MDB é uma opção, mas aponta que o partido está conversando com outras legendas da base “para ver qual o melhor nome e quem tenha condições de defender o legado do governo e ganhar a eleição”. Ele ressaltou, contudo, que o foco do MDB, neste momento, é aprovar a reforma da Previdência. A proposta, inclusive, será levada ao plenário da Câmara em 19 de fevereiro, mas o Planalto ainda não tem os 308 votos necessários para aprovar as mudanças.

Com informações do Jornal O Estado de São Paulo