O agravamento do conflito no Oriente Médio começou a produzir reflexos sobre a atividade industrial brasileira, com impacto no custo de insumos, no acesso ao crédito e nas condições financeiras das empresas.
Levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o índice que mede a evolução do preço médio das matérias-primas subiu de 55,3 pontos no último trimestre de 2025 para 66,1 pontos nos três primeiros meses de 2026 — alta de 10,8 pontos e o maior patamar desde meados de 2022.
O avanço é atribuído, em parte, às tensões geopolíticas que vêm pressionando commodities estratégicas, especialmente ligadas à cadeia energética e industrial, como petróleo e derivados.
Além do encarecimento dos insumos, os dados mostram deterioração no ambiente financeiro das empresas. O indicador de satisfação com as condições financeiras caiu para 47,2 pontos, abaixo do nível de equilíbrio, enquanto o índice relacionado ao lucro operacional recuou para 41,9 pontos, o menor patamar desde 2020.
O cenário também se agravou no crédito. O indicador de acesso a financiamento caiu para 39 pontos, pior resultado em três anos, reforçando o efeito combinado de juros elevados e restrição financeira sobre o setor produtivo.
Entre os principais entraves relatados pelos industriais, a carga tributária segue na liderança, embora com menor peso que no levantamento anterior. Já o custo ou a escassez de matérias-primas ganhou relevância e saltou da sexta para a segunda posição entre as maiores preocupações dos empresários.
Segundo a sondagem, 30,8% dos industriais passaram a apontar esse problema como crítico, ante 17,3% na pesquisa anterior — um avanço que reflete a pressão internacional sobre cadeias produtivas.
A leitura do setor é de que a combinação entre conflito externo, insumos mais caros e juros altos tem comprimido margens, reduzido competitividade e afetado o planejamento das empresas.
O movimento reacende preocupações sobre repasses de custos, ritmo de produção e possíveis impactos sobre preços e oferta de produtos no mercado interno.
