A liberação de candidatos a deputado estadual e federal para apoiarem, sem punição, um candidato a governador de outra legenda transformou o bloco União Brasil-PP no principal vencedor desse novo arranjo político no Ceará.
As duas siglas, que integram a Federação União Progressista e caminham com a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado, adotaram uma estratégia pragmática para evitar perdas e preservar sua estrutura eleitoral.
Deputados estaduais e federais do PP e do União Brasil, muitos deles aliados aos governos Lula e Elmano de Freitas, pressionavam para manter vínculos com o PT. Diante do risco de debandada, a cúpula da federação decidiu liberar esses parlamentares para apoiarem o candidato petista ao Governo, sem que isso fosse considerado infidelidade partidária.
A liberação para os militantes exercerem liberdade na escolha do candidato a governador cria um modelo de “traição consentida”, que garante sobrevivência política aos pretendentes a um mandato e, ao mesmo tempo, preserva os interesses das siglas.
PROPAGANDA E FUNDO ELEITORAL
O ganho imediato é claro: União Brasil e PP mantêm o tempo de rádio e televisão e os recursos do Fundo Eleitoral destinados à campanha de Ciro Gomes, mesmo com parte de seus quadros dividindo palanques.
A médio prazo, o cálculo é ainda mais estratégico. Ao evitar a saída de parlamentares e permitir maior flexibilidade política, os partidos aumentam as chances de eleger mais deputados federais em 2026.
Como o Fundo Eleitoral é distribuído com base no tamanho das bancadas na Câmara Federal, mais deputados significam mais recursos e maior poder político nas eleições seguintes.
