Alimentos ultraprocessados seguem sendo vistos como parte de uma infância feliz por muitas famílias brasileiras, mesmo com os alertas sobre os impactos negativos à saúde. É o que mostra um estudo que investigou hábitos alimentares em comunidades de diferentes regiões do país. A pesquisa ouviu 694 pessoas e identificou que esses produtos, frequentemente associados à praticidade e ao prazer, ainda ocupam um espaço simbólico importante, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Em muitos casos, o consumo é interpretado como sinal de acesso e melhoria de vida. Segundo os pesquisadores, essa percepção está diretamente ligada à forma como os produtos são apresentados ao consumidor. Informações nos rótulos nem sempre são compreendidas e acabam sendo ignoradas por grande parte da população.
O estudo também destaca o papel do marketing, especialmente voltado ao público infantil. Embalagens coloridas, personagens conhecidos e mensagens que destacam vitaminas e benefícios contribuem para a construção de uma imagem mais saudável do que a realidade desses produtos. A influência desse cenário aparece com mais força nos lanches intermediários das crianças. De acordo com o levantamento, esse é o momento do dia com maior consumo de ultraprocessados, superando café da manhã, almoço e jantar.
