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A rua Madre Teresa de Calcutá, no bairro Cajazeiras, foi o palco da maior chacina já registrada no Estado. Um bando armado invadiu o clube Forró do Gago atirando em quem via pela frente, o que resultou em 14 mortes e seis feridos. Desde então, o local segue fechado, interditado pela polícia.

O crime ocorreu às 0h30 de 27 de janeiro. Um mês depois, 10 pessoas estão presas e outras quatro foram identificadas, mas seguem foragidas. Um dos presos, detido em um apartamento de luxo no bairro Cocó, é suspeito de ser o mandante do crime. O segundo suspeito de ordenar a matança já estava preso.

O titular da Divisão de Homicídios, delegado Leonardo Barreto, confirmou que a chacina pode ter sido motivada por confronto entre grupos de criminosos organizados, como relataram testemunhas após o crime.

“Há uma suspeita muito forte de que foi disputa por território de duas facções. Agora maiores detalhes dessa motivação a gente vai apresentar numa fase 2 [continuidade das investigações], numa eventual fase 3 ou no relatório final”.

Local da festa fechado

O Forró do Gago, local onde ocorreu a maior chacina do Ceará, está sem funcionar desde a data do crime. O local já havia sido fechado em 2017 por realizar uma festa em “comemoração” à morte de um sargento da Polícia Militar. Em depoimento, o proprietário do local afirmou que não é responsável pelos eventos, mas apenas aluga o espaço para organizadores de festa.

O local foi fechado por poluição sonora, após investigação do delegado Hélio Marques, do 13º Distrito Policial. Em depoimento ao delegado, o proprietário do Forró do Gago afirmou que pretende alugar o espaço para ser transformado em uma igreja.

Segundo testemunhas que não quiseram se identificar, membros da facção GDE (Guardiões do Estado) realizaram a chacina porque na festa estavam membros de uma facção rival. A Secretaria da Segurança do Ceará não confirma que as vítimas fossem membros de alguma organização criminosa.

Prisões e arsenal apreendido

Cinco foram presos dois dias após a chacina, no velório de uma das vítimas. Sete pessoas, algumas delas armadas, foram detidas em um cemitério; duas foram liberadas em seguida por não terem relação com a chacina e cinco foram mantidos presos como suspeitos. O sexto suspeito foi preso com um fuzil utilizado na matança horas após a chacina de Cajazeiras.

As outras quatro prisões ocorreram em 20 de fevereiro. O homem apontado como um dos mandantes do crime, conhecido como “De Deus”, foi preso na casa onde mora, onde foi encontrada uma arma que a polícia diz ter sido usada na chacina.

“Na residência foi encontrada essa pistola, calibre 45, com 76 munições. É uma arma não muito comum aqui no Ceará, e foi uma arma utilizada no crime, na chacina”, afirmou o secretário de Segurança do Ceará, André Costa, quando a prisão dele foi realizada.

Ele foi solto com a compra de habeas corpus em um esquema criminoso envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça do Ceará, que vendiam por até R$ 150 mil ordens de soltura.

Com informações do G1 Ceará