Uso excessivo de dispositivos tecnológicos “apodrece” o cérebro, apontam estudos

Brain rot é uma expressão inglesa que significa “cérebro apodrecido” ou “deterioração mental”. Utilizada pela primeira vez, no século 19, pelo poeta e cientista norte-americano para definir futilidade, ela foi eleita, pelo Dicionário de Oxford, a palavra de 2024. Quase 200 anos após ser cunhado, o termo, porém, foi escolhido em uma votação por 37 mil pessoas devido ao significado que adquiriu na era do excesso de internet. A ciência corrobora: estudos de imagem mostram que o tempo de uso de redes sociais e conteúdos sem qualidade está diretamente associado a alterações no cérebro, incluindo redução da massa cinzenta. 

Os efeitos da dependência foram observados em várias redes neurais: houve uma mistura de aumento e diminuição da atividade nas partes do cérebro que são ativadas durante o repouso (a rede do modo padrão). Ao mesmo tempo, foi observada uma redução geral na conectividade funcional nas partes do órgão envolvidas no pensamento ativo (a rede de controle executivo). Na prática, essas mudanças foram associadas a comportamentos e tendências viciantes, assim como a alterações de desenvolvimento cerebral, capacidade intelectual e coordenação física, além de impactos na saúde mental.  Outro estudo, publicado na revista Nature, identificou redução no volume da matéria cinzenta de pessoas com vício na internet, comparado a um grupo controle. Essa parte do cérebro desempenha papel significativo das funções mentais, da memória, das emoções e do movimento e é afetada, entre outras condições, por derrames e pela doença de Alzheimer.