Uso excessivo do celular pelos pais pode prejudicar linguagem das crianças, aponta estudo

Foto: Isac Nobrega/ PR

O uso excessivo de telas — pelos pais — pode comprometer o desenvolvimento da linguagem nas crianças. O alerta é de um estudo da Universidade de Oslo, na Noruega, publicado na revista Jama Pediatrics. Os pesquisadores acompanharam 747 meninas e meninos dos 5 aos 7 anos para verificar o impacto do tempo de uso dos smartphones pelos responsáveis no vocabulário dos filhos. Ter um dispositivo próprio nessa fase da vida também foi associado a um desempenho linguístico inferior, segundo os autores. 

A pesquisa começou em 2023, quando os participantes tinham, em média, 5 anos. Eles foram avaliados a cada 12 meses ao longo de três anos. Os cientistas utilizaram modelos estatísticos de crescimento para separar uma característica importante, a diferença que a criança já exibia no início do estudo daquela relacionada à evolução de suas habilidades linguísticas ao longo do tempo. 

A linguagem foi avaliada por meio de dois testes padronizados. Um deles mediu o chamado vocabulário receptivo — a capacidade de compreender palavras. O outro avaliou a linguagem receptiva, ou seja, a habilidade de entender a mensagem ouvida, lida ou representada por gestos. As análises foram realizadas na educação infantil.

Os pesquisadores também coletaram informações sobre o tempo que as crianças passavam diante de telas durante a semana, incluindo sábado e domingo. Além disso, verificaram se elas tinham tablet, computador ou smartphone próprio. Em relação aos adultos, foram avaliados o uso de redes sociais pelas mães e pelos pais e, no caso do principal responsável, o período total registrado no celular.

A medida mais objetiva veio dos telefones dos adultos. Os pesquisadores pediram que o principal responsável extraísse o tempo de uso do próprio smartphone, considerando a média diária de uma semana. O resultado autorrelatado foi de 3,21 horas/dia. Cerca de 23,6% dos participantes ultrapassaram 240 minutos.

Entre as crianças, 26% dedicavam mais de uma hora por dia às telas na semana útil. Aos sábados e domingos, 22% excediam esse tempo. Mais de quatro em cada 10 participantes — 45,5% — tinham pelo menos um dispositivo digital próprio. O tablet era o equipamento mais comum: 43,2% das crianças possuíam um.