A ideia de que a felicidade está necessariamente ligada a um relacionamento amoroso vem perdendo força entre muitas pessoas. É o que revela uma pesquisa divulgada pelo aplicativo de relacionamentos Happn, que aponta um cenário de maior autonomia emocional entre os solteiros — principalmente entre as mulheres.
De acordo com o levantamento, 64% dos usuários afirmam se considerar felizes, enquanto 55% acreditam que uma vida plena não depende de ter um parceiro. Os resultados indicam uma mudança de comportamento: a solteirice deixa de ser vista apenas como uma fase de espera pela “pessoa certa” e passa a representar um período de desenvolvimento pessoal e satisfação individual.
O estudo também revela diferenças significativas entre homens e mulheres. Entre elas, especialmente na faixa etária de 26 a 35 anos, aparecem os maiores níveis de satisfação: 76% dizem estar felizes com a condição de solteiras. Nesse grupo, 75% apontam o autoconhecimento e o crescimento pessoal como os principais benefícios desse momento da vida.
Entre os homens da mesma faixa etária, o cenário é diferente. Apenas 17% destacam o crescimento pessoal como principal ganho da solteirice. Para muitos, os aspectos mais valorizados são independência, liberdade e autonomia no dia a dia.
A pesquisa também mostra mudanças geracionais na forma de encarar a vida sem um relacionamento fixo. Entre os jovens de 18 a 25 anos, 41% dizem que a maior vantagem é a possibilidade de conhecer novas pessoas. Já entre os chamados millennials, de 26 a 35 anos, os níveis mais altos de satisfação estão ligados à autodescoberta, mencionada por 27% dos entrevistados.
Para pessoas com 36 anos ou mais, a realização tende a estar mais ligada à vida profissional. Nesse grupo, 36% das mulheres afirmam priorizar carreira e estudos, enxergando a solteirice como uma oportunidade de investir em objetivos pessoais.
Apesar da valorização da independência, a pesquisa mostra que ainda existem desafios. A solidão é apontada como a principal dificuldade por 29% dos entrevistados, enquanto 31% relatam enfrentar pressão social para estar em um relacionamento.
Esse contexto também alimenta o chamado “medo de ficar sozinho”. Entre as mulheres mais jovens, 43% admitem já ter permanecido em relacionamentos por mais tempo do que desejavam, apenas para evitar voltar à solteirice.
Para Karima Ben Abdelmalek, CEO e presidente do Happn, os dados refletem uma mudança importante no comportamento afetivo da sociedade.
Segundo ela, cresce o que especialistas chamam de “solteirice intencional”, quando a pessoa escolhe permanecer solteira para priorizar crescimento pessoal, carreira e bem-estar emocional. Nesse cenário, um relacionamento passa a ser visto não como necessidade, mas como algo que deve somar e complementar a vida de cada indivíduo.
