O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, voltou a disparar duras críticas contra a Enel, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica. Em declarações públicas, o gestor classificou o serviço prestado pela empresa como “extremamente ruim” e “ultrapassado”, apontando falhas graves no atendimento e na capacidade de investimento.
Segundo Tarcísio, os dois principais indicadores de desempenho exigidos pela regulação — o DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) e o FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) — foram estabelecidos de forma a facilitar o cumprimento pela companhia. Isso porque ambos permitem expurgos em casos de condições climáticas adversas, o que, na avaliação do governador, abre brecha para que a Enel não realize os investimentos necessários para garantir a estabilidade do serviço.
O DEC mede o tempo médio que uma unidade consumidora permanece sem energia durante determinado período, enquanto o FEC indica a quantidade de vezes que a interrupção ocorre no mesmo intervalo. Na visão do governador, a forma como esses indicadores são aplicados permitiu que a empresa mantivesse índices aceitáveis no papel, mas sem entregar qualidade real ao consumidor.
Tarcísio foi ainda mais duro ao classificar a concessionária: “É uma empresa geradora de caixa, uma empresa geradora de receita, mas que não faz os investimentos necessários”.
CONTRA RENOVAÇÃO
Tarcísio defendeu que o governo federal e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não prorrogassem o contrato atual, que vence em 2028, dada a sequência de falhas registradas.
Em nota, a Enel informou que pretende investir R$ 10,4 bilhões entre 2025 e 2027, valor que seria um recorde para a região.
As críticas em São Paulo, no entanto, ecoam diretamente no Ceará, onde a companhia também enfrenta forte rejeição popular e busca a renovação do contrato. Assim como no Sudeste, os cearenses convivem com constantes interrupções e classificam o serviço como de péssima qualidade.
