A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem, aprovada na semana passada pela Câmara dos Deputados, enfrenta rejeição da maioria da população brasileira. Pesquisa Pulso Brasil/Ipespe, realizada entre os dias 19 e 22 de setembro, aponta que 52% dos entrevistados rejeitam a medida, enquanto 38% a apoiam. Outros 10% não souberam ou preferiram não responder.
O levantamento ouviu 2.500 pessoas em todo o país e tem margem de erro de dois pontos percentuais.
A proposta prevê que o Supremo Tribunal Federal (STF) só possa abrir processos criminais contra deputados e senadores com autorização prévia do Congresso Nacional, o que, segundo especialistas, cria um manto de autoproteção aos parlamentares.
REJEIÇÃO
A pesquisa revela que a resistência à PEC é expressiva entre os eleitores do presidente Lula (PT): 87% se posicionaram contra a medida e apenas 11% a favor; 3% não responderam. Entre aqueles que se declaram de esquerda, a rejeição sobe ainda mais, alcançando 93%.
No campo do centro político, a oposição à PEC também é forte, atingindo 81%. Já entre os eleitores que se identificam com a direita, a divisão é maior: 51% rejeitam a proposta, mas 41% declaram apoio.
O levantamento reforça que a PEC, chamada por críticos de “PEC da Impunidade”, não encontrou respaldo popular, sobretudo em meio à crescente cobrança da sociedade por mais transparência e responsabilização dos agentes públicos.
Os dados chegam em um momento de pressão sobre o Congresso, com protestos em diversas cidades e forte mobilização de entidades da sociedade civil contra o que classificam como um retrocesso democrático
