Guerra urbana: governador Cláudio Castro acusa governo Lula de omissão no combate ao crime organizado

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), fez duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que a segurança pública não é tratada como prioridade nacional. As declarações ocorreram após a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de 60 mortos, incluindo policiais e moradores.

É uma crítica recorrente que eu faço: entendo que essa gestão não vê segurança pública como prioridade. É uma crítica que eu mantenho”, disse o governador em entrevista, ao reforçar a falta de apoio federal nas ações de enfrentamento ao crime organizado em áreas de risco.

Castro destacou que um dos pontos mais críticos é o controle das fronteiras, por onde passam as armas utilizadas pelas facções criminosas. “Ano passado, o Rio apreendeu 732 fuzis — e o Rio de Janeiro não produz armas. Essas armas estão entrando pelas fronteiras federais”, afirmou.

O governador cobrou maior presença da União no bloqueio das rotas de tráfico de armas e munições, criticando a ausência de ações efetivas. “Não adianta o ministro ficar chateado porque [a segurança] não é prioridade deles, sobretudo a questão de fronteiras”, completou.

Embora tenha elogiado a Polícia Federal pela operação que desarticulou uma fábrica de fuzis em São Paulo, Cláudio Castro afirmou que a medida é pontual e insuficiente diante da dimensão do problema. “Mais uma vez, esses fuzis entram pelas estradas federais”, reforçou.

As declarações de Castro expõem o clima de tensão entre o governo fluminense e o Palácio do Planalto no momento em que o país acompanha com preocupação o agravamento dos conflitos no Rio.

A guerra urbana reacende o debate sobre a ausência de coordenação entre União, Estados e Municípios e sobre a necessidade de uma estratégia nacional de segurança pública capaz de conter o avanço do crime organizado e restabelecer a paz nas grandes cidades brasileiras.