Enquanto o crime avança, o poder público cochila; violência cresce em meio à omissão política

Enquanto o crime organizado amplia seu domínio e desafia as forças de segurança, o Congresso Nacional e o Governo Federal permanecem inertes, incapazes de articular uma política integrada entre União, Estados e Municípios para enfrentar o avanço da criminalidade. A ausência de prioridade nesse tema é evidente e ganha um símbolo concreto: o engavetamento da PEC da Segurança Pública, proposta que chegou com dois anos de atraso ao Legislativo e, em vez de unir esforços, aprofundou divergências políticas e eleitorais entre governadores e parlamentares.

A proposta, embora não represente uma solução definitiva, traz diretrizes importantes para reorganizar o sistema de segurança e fortalecer a cooperação federativa. Se debatida com seriedade e prioridade, poderia restaurar a esperança da população de que Executivo e Legislativo estão realmente sintonizados na busca por medidas concretas contra o crime organizado — que hoje se mostra mais ágil, estruturado e interligado nacionalmente do que o próprio Estado.

O cenário de guerra urbana registrado no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), com mais de 60 mortos em confrontos nos complexos da Penha e do Alemão, é o retrato mais cruel dessa desconexão. A tragédia acende uma luz vermelha sobre o descontrole das ações públicas e sobre a incapacidade de formular uma estratégia nacional consistente de combate às facções.

Enquanto as quadrilhas se modernizam e expandem fronteiras, o poder público segue dividido, paralisado e preso a cálculos eleitorais — um silêncio institucional que, na prática, fortalece o crime e enfraquece o Estado.