Fortaleza recebe, nesta quarta-feira (26), às 19 horas, no Ideal Clube, o lançamento do livro “Psiquiatria da Pessoa”, nova obra do médico e escritor Roberto Mandetta, que propõe uma virada profunda no modo de compreender o sofrimento psíquico em um mundo dominado pelas telas, pela hiperconexão e pela crescente dependência da inteligência artificial.
Hoje, pela manhã, em um bate papo com o jornalista Luzenor de Oliveira, em entrevista no Jornal Alerta Geral, Mandetta apresenta um diagnóstico contundente: a saúde mental não pode ser reduzida ao cérebro, nem a medicação pode ser tratada como única solução. Antes da entrevista, o repórter Isac Rancine fala sobre o lançamento do livro e a repercussão da publicação na área da saúde mental.
ANSIEDADE É FUMAÇA
O psiquiatra afirma que a obra nasce da necessidade de romper com o modelo biologicista, que transformou a psiquiatria em mera “gestora de receitas”. “A ansiedade é a fumaça. Precisamos encontrar o fogo”, disse, criticando condutas que ignoram a raiz emocional e espiritual do sofrimento.
Mandetta reforça que a dependência da IA cria um risco silencioso: “Se não desenvolvermos nossa dimensão espiritual, ficamos aprisionados pela máquina”. Embora reconheça o valor da tecnologia, ele lembra que nenhuma plataforma oferece escuta, acolhimento e afeto — elementos fundamentais do cuidado.
O autor denuncia ainda o estigma histórico que afasta pacientes de tratamento: “Ainda existe a ideia de que psiquiatra é para louco. Isso precisa acabar”. Para ele, o acompanhamento deve ser integral, combinando psicoterapia, diálogo humano e, quando necessário, abordagem espiritual. “A máquina informa, mas não cura. Quem cura é a relação humana, olho no olho”, afirma.

SENSIBILIDADE
Com linguagem acessível, o livro não se propõe a ser autoajuda, mas um convite à reflexão sobre a saúde mental na era digital. Voltado a profissionais e ao público em geral, “Psiquiatria da Pessoa” defende que o cuidado emocional exige profundidade, sensibilidade e visão ampla.
Na conversa com o jornalista Luzenor de Oliveira, Mandetta resume o propósito da obra: “A psiquiatria precisa voltar a enxergar a pessoa — não apenas o cérebro”.
O lançamento desta quarta-feira marca, portanto, não apenas a chegada de um novo livro, mas a convocação para repensar o futuro da saúde emocional em uma sociedade que substitui vínculos humanos por telas, dados e algoritmos.

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