PL inicia 2026 com ofensiva para derrubar veto de Lula e ampliar pauta da oposição no Congresso

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O primeiro semestre legislativo de 2026 começa como missão central e desafio estratégico para as lideranças nacionais de oposição, especialmente para o PL.

Deputados e senadores do partido terão como prioridade absoluta a tentativa de derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto de lei da Dosimetria, que reduz penas de condenados na trama golpista e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro. A articulação é para que a votação ocorra antes do Carnaval.

REDUÇÃO DE PENAS

Em dezembro, após acordo entre lideranças do PT e parlamentares bolsonaristas, o Congresso aprovou a proposta que recalcula as penas por crimes contra o Estado Democrático de Direito. Lula, no entanto, exerceu sua prerrogativa constitucional e vetou o texto. Agora, a matéria retorna ao Legislativo, que pode manter ou derrubar o veto presidencial, transformando o projeto novamente em lei.

A mobilização da oposição ganhou novo impulso com a marcha liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que percorre cerca de 250 quilômetros entre Paracatu (MG) e Brasília.

O grupo, formado por ao menos 22 parlamentares, deve chegar à capital federal no domingo (25) para um ato em defesa de “justiça e liberdade” para Bolsonaro.

Paralelamente, uma articulação conduzida pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), resultou na transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal em Brasília para o presídio da Papuda, em uma ala com melhores condições.

Nos bastidores, setores do bolsonarismo demonstraram preocupação de que o movimento possa arrefecer a campanha pela anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro ou pela concessão de prisão domiciliar ao ex-presidente.

A oposição pretende ampliar o embate político com outras frentes: quer prorrogar a CPI do INSS, criar a CPI do Banco Master e instalar a CPMI da Secretaria de Comunicação (Secom), para investigar um suposto “gabinete do ódio” no Palácio do Planalto, além de avançar com pautas de segurança pública.

“Primeiro a gente vai lutar pela prorrogação da CPI do INSS, porque ela está trazendo frutos muito importantes. Ela permitiu que muita coisa fosse revelada, como o envolvimento do Lulinha com o Careca do INSS. É prioridade prorrogar essa CPI”, afirmou a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), durante encontro com jornalistas em Brasília.

INVESTIGAÇÃO

A preferência do bolsonarismo pela criação de CPMIs em vez de CPIs tradicionais se explica pelo rito legislativo: as comissões mistas são instaladas automaticamente com o apoio de 171 deputados e 27 senadores, enquanto as CPIs comuns dependem de autorização dos presidentes da Câmara ou do Senado.