Projeto que criminaliza misoginia expõe racha na direita e gera críticas a voto de Flávio Bolsonaro

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

A aprovação, sem votos contrários no Senado, do projeto que inclui a misoginia como crime previsto na Lei do Racismo abriu uma divisão dentro da direita e provocou reações entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que votou favoravelmente à proposta.

A decisão gerou incômodo em setores do próprio campo conservador, incluindo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, que criticou o movimento e afirmou haver uma tentativa de transformar a direita em um “movimento feminista radical”. Nos bastidores, a leitura é de que o senador busca ampliar apoio entre o eleitorado feminino, mirando a disputa presidencial.

Parlamentares da oposição que apoiaram o projeto alegam que houve uma espécie de “armadilha” na tramitação. Segundo eles, a proposta teria sido aprovada com uma redação considerada ampla demais, e agora o grupo articula para barrar ou modificar o texto na Câmara dos Deputados.

O senador Carlos Portinho (PL-RJ) chegou a propor uma emenda para impedir que manifestações artísticas, acadêmicas, jornalísticas e religiosas fossem enquadradas como misoginia. Ele afirma que havia acordo para votação da mudança, que não foi cumprido. “Essa votação foi uma armadilha”, declarou.

As críticas se intensificaram nas redes sociais. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) afirmou que o texto abre margem para censura e interpretação subjetiva. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a aprovação como “aberração” e prometeu mobilização para derrubar a proposta.

Aliados mais próximos do bolsonarismo também reagiram. O blogueiro Paulo Figueiredo criticou o voto de Flávio e associou a decisão a uma estratégia eleitoral, questionando o alinhamento do senador com pautas conservadoras.

Apesar das críticas, Flávio Bolsonaro tem reforçado, em discursos pelo país, que pretende priorizar o diálogo com o público feminino, considerado estratégico para ampliar sua base eleitoral. O movimento ficou evidente em pronunciamentos recentes, tanto em São Paulo quanto em agendas no Nordeste.