Apesar da popularização dos aplicativos de transporte, o deslocamento ainda é cercado por insegurança para muitas mulheres no Ceará. Mais da metade das usuárias afirma não se sentir segura nesse tipo de serviço, especialmente diante do medo de violência sexual.
O cenário se reflete em comportamentos já incorporados à rotina: compartilhar a localização em tempo real, observar o trajeto, conferir o perfil do motorista e manter atenção redobrada durante todo o percurso. Medidas que funcionam como um “protocolo informal” de autoproteção.
A preocupação é ainda maior entre mulheres mais jovens, que lideram os índices de medo em relação à violência sexual. Especialistas apontam que esse sentimento está diretamente ligado a fatores estruturais, como o machismo e a recorrência de casos que ganham visibilidade, reforçando a sensação de vulnerabilidade.
A insegurança, no entanto, não se restringe aos aplicativos. No transporte público, os dados também acendem alerta. Segundo a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), somente até o dia 16 de março de 2026, foram registradas 47 denúncias de casos de importunação e violência dentro de ônibus por meio de plataforma oficial.
Entre as ocorrências mais frequentes estão casos de encoxar ou apalpar, que somam 18 registros. Também aparecem denúncias de intimidação e perseguição, com dois casos cada, além de situações envolvendo fotos não autorizadas. Outras 15 ocorrências foram classificadas como diferentes tipos de violência.
Os números reforçam um cenário de exposição recorrente. A facilidade de acesso ao transporte não elimina o medo — que, em muitos casos, acompanha as mulheres em qualquer modalidade de deslocamento.
Além das passageiras, motoristas de aplicativo também relatam vulnerabilidade. A rotina intensa, com dezenas de passageiros por dia, amplia o risco de contato com pessoas mal-intencionadas, exigindo cuidados constantes durante o trabalho.
Mesmo com a adoção de ferramentas de segurança e canais de denúncia, o sentimento predominante ainda é de alerta. Para muitas mulheres, sair de casa e se locomover pela cidade segue sendo uma experiência marcada não apenas pela mobilidade, mas pela necessidade de se proteger.
As denúncias podem ser feitas pelo WhatsApp da Super NINA, no número (85) 93300-7001.
