O alto nível de endividamento das famílias brasileiras acende um sinal de alerta para a economia, com impactos que podem se estender a curto, médio e longo prazos. O avanço das dívidas aumenta o risco de inadimplência e reduz a capacidade de consumo, afetando diretamente a atividade econômica.
De acordo com levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mais de 74 milhões de brasileiros estão com contas em atraso — o equivalente a 44,42% da população adulta.
Em entrevista ao Jornal Alerta Geral, o economista e professor Ricardo Coimbra afirma que o crédito é um dos principais fatores de endividamento da população.
“À medida que se tem um crédito caro, as operações do dia a dia também se tornam mais caras. A taxa de juros acaba impactando a atividade econômica como um todo. Outro fator importante a ser observado é o nível médio de renda da população brasileira, que é relativamente baixo quando comparado ao de outras economias. Isso faz com que o índice de comprometimento da renda do trabalhador seja mais elevado”, explicou.
MECANISMOS COMO ALTERNATIVA
Questionado sobre como o governo pode auxiliar a população a reduzir os índices de inadimplência e endividamento, o professor Ricardo Coimbra explica quais mecanismos podem ser utilizados.
“Em um momento em que a taxa de juros está muito elevada, qualquer mecanismo de renegociação ou reestruturação da dívida, com juros menores, além da possibilidade de portabilidade ou acesso a novos créditos, é extremamente importante. É interessante que o cidadão saiba que pode utilizar esses recursos, inclusive em possíveis programas como o Desenrola 2, com medidas como o abatimento de parte da dívida com recursos do FGTS para trabalhadores com carteira assinada e saldo disponível.”
SOBROU DINHEIRO: O QUE FAZER?
Após pagar todas as contas e despesas domésticas, caso sobre dinheiro, o ideal é evitar gastos desnecessários. O economista Ricardo Coimbra orienta sobre como utilizar esse valor de forma estratégica.
“Se sobrar algum recurso, tente criar uma reserva financeira. Caso seja possível, também vale antecipar o pagamento de parte da dívida, o que ajuda a quitá-la mais rapidamente e com menos juros. O mais importante é reorganizar as finanças com base em um planejamento do orçamento familiar ou individual.”
“É fundamental fazer um ‘raio-x’ dos gastos para identificar a capacidade de organização financeira. É preciso saber quanto se gasta com alimentação, transporte, moradia e até com pequenas despesas do dia a dia, como um café ou lanche. Muitas vezes, esses gastos passam despercebidos. Ao identificar esses valores, é possível reorganizar o orçamento. Uma dica é anotar diariamente todas as despesas, mesmo as menores, em um caderno. No fim do mês, isso permite visualizar onde se gasta mais e onde é possível economizar”, complementou.
A educação financeira também é uma ferramenta essencial para economizar. Afinal, quem conhece bem seus gastos tem menos chances de se endividar.
“Existe uma parcela significativa da população que não tem noção de educação financeira, e esse é um ponto fundamental. É necessário um processo contínuo de educação financeira, com foco na organização do orçamento diário e mensal. É importante saber quanto se ganha e, principalmente, como se gasta. Muitas vezes, é na forma como se gasta que é possível fazer ajustes e melhorar a situação financeira, reduzindo a inadimplência e colocando as dívidas em dia. Por isso, é essencial estimular constantemente a educação financeira para fortalecer a capacidade de organização orçamentária das famílias”, concluiu.
