Até 2085, cerca de 36% dos habitats das espécies terrestres poderão estar expostos a diversos tipos de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, incêndios ou inundações, caso o aquecimento continue aumentando durante a segunda metade do século. Os resultados são de um estudo publicado hoje na revista Nature Ecology & Evolution. O trabalho foi realizado por 18 cientistas e liderado pelo Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK).
Uma única onda de calor, inundação ou incêndio pode devastar diversas populações animais. Quando múltiplos tipos de eventos extremos ocorrem em sequência, os impactos sobre as espécies e os habitats são ainda maiores. Estudos anteriores mostraram que, após os incêndios de 2019-2020 na Austrália, houve um declínio de 27% a 40% maior em espécies de plantas e animais em áreas que haviam sofrido com a seca imediatamente antes.
No entanto, os cientistas destacam que a redução rápida das emissões, chegando a zero, ainda poderia prevenir, em grande parte, esses impactos. Num cenário em que o aquecimento comece a reverter na segunda metade do século, os habitats dos animais terrestres que sofreriam com múltiplos tipos de eventos climáticos até 2085 cairia de 36% a apenas 9%.
