Reduzir o tempo de espera por cirurgias no SUS tem sido uma das principais metas da saúde pública no Ceará. Desde 2023, o Estado já realizou mais de 500 mil cirurgias eletivas — aquelas que não são de urgência, mas que impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes.
O programa contempla diversas especialidades e também fortalece os atendimentos no Interior, evitando deslocamentos longos até a Capital.
Apesar de as filas de espera ainda serem um dos principais desafios do governo, mutirões vêm sendo realizados para ampliar o atendimento no Interior e agilizar o processo.
Em entrevista ao Jornal Alerta Geral, a secretária de Saúde do Estado do Ceará, Tânia Mara Coelho, comentou o aumento no número de cirurgias realizadas e atribuiu o avanço ao trabalho desenvolvido na atual gestão.
“Assim que o governador assumiu, pediu que elaborássemos um plano. Fizemos um levantamento dos hospitais em todo o Estado, avaliando suas capacidades instaladas, pois era necessário ampliar a oferta. Também analisamos as filas e dialogamos com secretários municipais e prefeitos. Há um envolvimento muito grande de todos para alcançar esse resultado. Hoje, já ultrapassamos 513 mil cirurgias realizadas, em parceria com hospitais municipais, estaduais, filantrópicos e até privados credenciados”, afirmou a secretária.
FILA DE CIRURGIAS
Segundo Tânia Mara, a maior demanda nas filas de espera no Ceará está relacionada à cirurgia de catarata, condição ocular que provoca visão embaçada ou turva.
“A catarata é uma alteração que ocorre com o tempo e, na maioria dos casos, atinge os dois olhos. Assim, o paciente realiza uma cirurgia em cada olho, o que aumenta o número de procedimentos. É a maior fila, mas são cirurgias rápidas e seguras. Também há grande procura por cirurgias de vesícula e hérnia”, explicou.
Entre crianças e adolescentes, procedimentos como amigdalectomia e adenoide contribuem para a extensão das filas de atendimento.
COMO ENTRAR NA FILA
Para realizar uma cirurgia eletiva, o paciente precisa, inicialmente, passar por avaliação médica. Nem todos os casos exigem intervenção cirúrgica.
Após consulta com um especialista, caso haja indicação, o paciente é inserido na fila para o hospital responsável pelo procedimento.
Outro avanço destacado pela secretária foi a criação de um painel de monitoramento, que permite acompanhar, em tempo real, quais municípios e unidades de saúde estão realizando cirurgias, além da quantidade de procedimentos executados.
“Se um hospital reduz o ritmo de cirurgias, conseguimos identificar rapidamente e verificar o que está acontecendo. Isso permite um acompanhamento mais próximo e uma cobrança mais efetiva”, ressaltou.
PLANEJAMENTO
Para o restante do ano, a Secretaria da Saúde do Ceará pretende ampliar ainda mais a realização de cirurgias eletivas em todo o Estado.
Como exemplo, Tânia Mara destacou a região do Cariri, onde já foram realizados cerca de 28,8 milhões de atendimentos, incluindo cirurgias, consultas, exames como ressonância, tomografia e endoscopia, além de procedimentos mais complexos.
“Identificamos um vazio assistencial importante no Cariri, especialmente em cirurgias urológicas e vasculares, que são mais complexas e exigem exames como a arteriografia. Por isso, incluímos esses serviços em edital, para ampliar a oferta e melhorar a assistência à população”, concluiu.
