O Ceará teria 254.752 trabalhadores diretamente beneficiados com o fim da escala 6×1 no Brasil. O número corresponde ao total de pessoas que atualmente trabalham seis dias por semana com apenas um dia de descanso e que, com a mudança em discussão no Congresso Nacional, passariam a atuar no modelo 5×2, com dois dias de folga semanal.
A proposta é uma das prioridades do Governo Federal e conta com defensores no cenário político cearense, entre eles o senador Camilo Santana (PT), que se tornou uma das vozes favoráveis à redução da jornada de trabalho.
Levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostra que o Ceará possui atualmente 984.634 trabalhadores já inseridos na escala 5×2, o que representa 79,45% do total analisado no estado. Os dados indicam que 20,55% dos trabalhadores cearenses ainda atuam sob o regime 6×1.
Além disso, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas alcançaria um universo ainda maior no estado: 1.123.909 trabalhadores cearenses seriam contemplados pela mudança.
O tema ganhou força após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar, em 13 de abril, uma mensagem presidencial encaminhando ao Congresso Nacional, em regime de urgência constitucional, projeto que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, assegura dois dias de descanso remunerado e proíbe qualquer redução salarial.
Ao defender a proposta durante pronunciamento no Dia do Trabalhador, Lula afirmou que o modelo atual precisa acompanhar as mudanças sociais e tecnológicas.
“Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos”, afirmou o presidente.
Cenário nacional
Os dados do Ministério do Trabalho mostram que foram identificadas jornadas de trabalho de 44,7 milhões de brasileiros. Desse total, cerca de 14,9 milhões de trabalhadores — aproximadamente um terço — ainda atuam na escala 6×1 e seriam diretamente beneficiados pela mudança.
O levantamento também aponta que 38,6 milhões de trabalhadores cumprem atualmente jornadas superiores a 40 horas semanais. Desses, 37,2 milhões trabalham 44 horas por semana, enquanto 1,4 milhão atua entre 40,1 e 43,9 horas semanais.
Distribuição por regiões
Regionalmente, o Sudeste concentra o maior número de trabalhadores na escala 6×1, com 7 milhões de pessoas. Em seguida aparecem:
- Sul: 2,9 milhões
- Nordeste: 1,97 milhão
- Centro-Oeste: 1,34 milhão
- Norte: 751,7 mil
Estados com maior número de trabalhadores na escala 6×1
Entre os estados, São Paulo lidera com 4,28 milhões de trabalhadores submetidos à jornada 6×1. Na sequência aparecem:
- Minas Gerais: 1,46 milhão
- Rio de Janeiro: 1,05 milhão
- Santa Catarina: 1,04 milhão
- Paraná: 1,03 milhão
A discussão sobre o fim da escala 6×1 avança no Congresso Nacional e deve se transformar em um dos temas centrais do debate político e trabalhista nos próximos meses.
