Pesquisa revela que 8 em cada 10 mulheres relatam dor intensa ao colocar o DIU

A dor na inserção do DIU atinge 81,4% das mulheres e pode ser muito mais intensa do que as diretrizes brasileiras reconhecem. É o que revela um estudo conduzido por pesquisadores da Unicamp, que analisou 7.259 procedimentos realizados entre 2022 e 2024 em um hospital público de Campinas (SP).

Os resultados mostram que a maioria das inserções provocaram dor moderada ou intensa, enquanto mais da metade das pacientes classificou a experiência como severa — um cenário que contrasta diretamente com o manual do Ministério da Saúde, segundo o qual menos de 5% das mulheres enfrentariam esse nível de desconforto.

Avaliação de dor 

Para avaliar a experiência das pacientes, os pesquisadores utilizaram uma escala visual de dor de zero a dez imediatamente após a inserção do DIU. A média registrada foi de sete pontos, indicando um nível elevado de desconforto. Entre todas as inserções analisadas, 53,8% receberam pontuação igual ou superior a sete, classificadas como dor severa, enquanto outros 27,6% foram enquadrados como dor moderada. Apenas 15,4% relataram dor leve e somente 3,1% disseram não ter sentido dor.

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o baixo uso de estratégias para aliviar o desconforto antes do procedimento. Apenas 6,1% das inserções ocorreram após a administração de algum medicamento. Os antiespasmódicos foram utilizados em 3,2% dos casos, os anti-inflamatórios em 2,8%, analgésicos comuns em 1,1% e opioides praticamente não foram empregados.

O estudo também destaca que organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG), atualizaram recentemente suas recomendações para incluir estratégias rotineiras de manejo da dor durante a inserção do DIU. Diante dos resultados encontrados, os pesquisadores defendem que as diretrizes brasileiras também sejam revisadas para refletir melhor a realidade observada nos atendimentos e oferecer informações mais precisas às pacientes.