Hipertensão, diabetes, problemas no coração e nas articulações. Antes consideradas ‘doenças de adultos’, hoje estão se manifestando cada vez mais cedo. Uma das razões para o cenário é o aumento da obesidade entre crianças e adolescentes. Em 2025, um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) apontou que a prevalência de desnutrição entre 5 a 19 anos superou a taxa de obesidade.
No Ceará, a situação não é diferente. Dados levantados pelo Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde mostram que 40% das crianças na faixa etária de 0 a 9 anos têm excesso de peso no Estado. Quando se trata da obesidade grave, condição em que o Índice de Massa Corporal é extremamente elevado, 9 em cada 100 crianças cearenses são enquadradas nesse grau.
O cenário é resultado, principalmente, da substituição da alimentação tradicional por alimentos ultraprocessados, altamente calóricos e com menor custo benefício em relação aos itens mais saudáveis. Esse panorama preocupa especialistas porque, se as comorbidades e a obesidade não forem tratadas ainda na infância, os pacientes podem evoluir para uma vida adulta não saudável e provocar uma sobrecarga na rede pública de saúde. Conforme o Ministério da Saúde, a obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal.
A condição multifatorial é resultado de fatores genéticos, comportamentais e ambientais. Para a realização do diagnóstico, o pediatra faz o cálculo do Índice de Massa Corporal e analisa o valor a partir das curvas de crescimento e percentis específicos para a idade e o sexo da criança.
