O percentual de famílias brasileiras endividadas caiu de 82% em agosto para 81,7% em setembro, registrando a primeira redução do indicador em 2026. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (8) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar da queda, o tempo médio de atraso no pagamento das dívidas chegou ao maior nível desde novembro de 2024.
A pesquisa também apontou recuo na inadimplência, indicador que considera as famílias com parcelas em atraso. O percentual passou a 29,6%, uma redução de 0,3 ponto percentual em relação a agosto e o menor resultado desde março.
Já a proporção de famílias que afirmaram não ter condições de quitar as dívidas atrasadas permaneceu em 12,5%. Com isso, foi interrompida a sequência de duas altas mensais consecutivas desse indicador.
Tempo de atraso nas dívidas aumenta
Mesmo com a redução dos índices de endividamento e inadimplência, setembro registrou um resultado desfavorável em relação ao tempo de atraso nos pagamentos. Pelo segundo mês consecutivo, a média aumentou, chegando a 65,3 dias — o maior período desde novembro de 2024, quando atingiu 65,5 dias.
De acordo com a CNC, os atrasos superiores a 90 dias concentraram 48,9% dos casos. Por outro lado, houve aumento na parcela de famílias que permanecem endividadas há mais de um ano, que chegou a 33,8%.
Prazos mais longos para o pagamento das dívidas podem reduzir o valor das parcelas mensais e aliviar a pressão imediata sobre o orçamento doméstico. No entanto, o prolongamento dos compromissos financeiros também evidencia a dificuldade de parte dos consumidores em regularizar a situação.
Famílias muito endividadas
O levantamento da CNC mostrou ainda uma leve queda na proporção de famílias que se consideram muito endividadas, que passou a 17,3% em setembro.
Em sentido contrário, o percentual de consumidores que disseram não possuir dívidas avançou para 18,1%. Segundo os dados, o movimento indica uma composição relativamente mais favorável do endividamento das famílias brasileiras.