Fim das bets traz boa notícia: brasileiros gastam mais com alimentação e supermercados registram crescimento de até 10,6% nas vendas

Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

A proibição das bets no Brasil, em vigor desde 25 de setembro, começa a ser associada a uma mudança no comportamento de consumo das famílias brasileiras. Levantamentos da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontam crescimento nas compras de alimentos, especialmente produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café. Os dados reforçam a expectativa de que parte do dinheiro anteriormente destinado às apostas online esteja retornando ao orçamento doméstico.

Os estudos da Abras identificaram aumento no volume de consumo em diferentes segmentos do varejo alimentar, incluindo supermercados, atacarejos, mercearias e pequenos estabelecimentos comerciais.

Na semana de 5 a 11 de outubro, as vendas de alimentos cresceram 6,5% em todo o País, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O Sul e a região que reúne Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro apresentaram as maiores altas, de 10,6%. O Nordeste também registrou crescimento de 6,5%, seguido pelo interior de São Paulo, com 5,6%.

Na Grande Rio, o avanço foi de 4%, enquanto o Centro-Oeste registrou 3,6% e a Grande São Paulo, 1,2%.

CONSUMO CONTINUOU EM ALTA NA SEGUNDA SEMANA DE OUTUBRO

Entre os dias 12 e 18 de outubro, o desempenho positivo foi mantido, com crescimento nacional de 6,3% no volume de vendas de alimentos, também na comparação anual.

O Sul permaneceu na liderança, com alta de 9%, seguido pela região de Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense, com 7,1%, e pela Grande Rio, com 6%.

O interior paulista avançou 5,6%, enquanto a Grande São Paulo cresceu 5,5%. No Nordeste, o aumento foi de 4,5%, e no Centro-Oeste, de 3,5%.

Os números mostram uma expansão das compras de alimentos em diferentes regiões, com destaque para itens básicos do consumo familiar.

BANCO CENTRAL REGISTROU QUEDA NAS TRANSAÇÕES VIA PIX

Segundo a Abras, o crescimento do consumo alimentar apresenta relação com dados atribuídos ao Banco Central, que indicaram redução de 10% no número de transações via Pix imediatamente após a proibição das bets.

A entidade também identificou crescimento superior a 6% nas vendas do setor de atacarejo após a entrada em vigor da medida.

A hipótese considerada pelo setor supermercadista é de que a restrição às plataformas de apostas tenha contribuído para liberar parte dos recursos anteriormente comprometidos com os jogos, permitindo que as famílias aumentem as compras de produtos essenciais.

Os dados, entretanto, ainda não permitem atribuir todo o crescimento das vendas exclusivamente à proibição das apostas, já que outros fatores também influenciam o consumo.

MAIS DINHEIRO PARA ALIMENTAÇÃO E MENOS PARA A JOGATINA

A expansão do consumo de alimentos ganha importância diante das preocupações com o endividamento das famílias brasileiras e o comprometimento de parte da renda com apostas esportivas e jogos virtuais.

A proibição das bets, determinada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, também abriu uma discussão sobre os impactos econômicos e sociais da atividade, que ganhou milhões de usuários nos últimos anos.

Enquanto empresas do setor e clubes de futebol questionam os efeitos da medida sobre contratos e patrocínios, os números apresentados pela Abras reforçam o debate sobre os possíveis benefícios da redução dos gastos familiares com jogos.

O crescimento das compras de arroz, óleo, macarrão, café e outros alimentos representa um sinal positivo para o comércio e para o orçamento doméstico.