Mulher é encontrada acorrentada à cama após passar dois anos em cárcere privado

Uma mulher foi mantida acorrentada à sua cama em casa em Fargo (Dakota do Norte, EUA) por dois anos — sofrendo espancamentos e agressões sexuais — até que, na última terça-feira (3/11), um funcionário de manutenção predial ouviu seus pedidos de socorro e acionou a polícia.

Policiais que atenderam ao chamado num complexo de apartamentos encontraram a vítima presa à estrutura de uma cama por meio de uma corrente pesada e um cadeado em seu tornozelo direito, segundo a emissora WCAX. A mulher foi encontrada com hematomas nos braços, nas pernas e no rosto. A vítima relatou também ter levado socos, o que resultou em uma cicatriz em sua testa.

A mulher foi levada às pressas para o hospital e relatou ter sido agredida sexualmente e espancada pelo seu ex-marido, Arturo Calzada Becerril, de 40 anos — que, segundo a investigação inicial, pretendia usá-la para regularizar sua situação imigratória —, e da namorada dele, Erendira Amoles, de 41.

A vítima revelou que Arturo a levou do México aos EUA em 2024 aproveitando que ela tem passaporte americano. Assim que chegou aos EUA, a mulher foi confinada, tendo uma câmera de segurança voltada para sua cama e as janelas do quarto cobertas com papel-alumínio, conforme noticiou a Valley News Live. Ela recebia comida apenas duas vezes ao dia e era forçada a fazer suas necessidades em um balde ao lado da cama. Era Erendira quem “cuidava” da vítima.

“As correntes na cabeceira da cama pareciam estar fixadas com parafusos grandes, arruelas e porcas”, descreve um relatório investigativo consultado pelo site “Inforum”.

Os agressores e a vítima são oriundos da mesma cidade no México.

Em sua defesa, Arturo alegou que mantinha a ex trancada para que ela “não fugisse”, dizendo que ela era dependente química e que ele não queria que ela voltasse a consumir drogas.

Vizinhos ficaram chocados com a descoberta da polícia. Muitos expressaram descrença de que uma situação tão terrível pudesse ter ocorrido justamente no prédio onde moram, apesar das rondas de segurança regulares.

“É algo realmente assustador. A gente ouve falar disso o tempo todo no noticiário, mas saber que aconteceu, literalmente, bem ali ao lado”, declarou Erin Schauer, moradora do edifício, à Valley News Live.

“É inacreditável. Não consigo acreditar que ninguém tenha ouvido nada ou, sabe, suspeitado que algo assim estivesse acontecendo”, comentou Reed Bertsch, outro vizinho.