Aliados do pré-candidato do MDB à Presidência da República, Henrique Meirelles, reconheceram nessa segunda-feira, 11, as dificuldades do emedebista em conquistar o apoio do próprio partido na convenção de julho. Finalizada na quinta-feira passada, os dados da pesquisa Datafolha sobre a percepção dos brasileiros em relação à economia expõe que 72% dos entrevistados enxergam uma piora do cenário econômico, enquanto apenas 6% acreditam em uma possível melhora. Os resultados adversos da economia, combinados à impopularidade do presidente Michel Temer, têm dificultado o crescimento de Meirelles, que segue com 1% das intenções de voto.

Segundo reportagem do Jornal O Globo, diante dos resultados do Datafolha, o próprio ministro da Secretaria de Governo de Temer, Carlos Marun, praticamente descarta a candidatura do emedebista, ao defender que a legenda e os outros partidos aliados ouçam o “instinto de sobrevivência” e discutam o apoio a um candidato de centro “mais competitivo”. O ministro, no entanto, diz que vai continuar trabalhando por Meirelles enquanto os partidos não chegam a esse entendimento. “Acho que em algum momento essa conversa vai acontecer, até por um instinto de sobrevivência. Mas hoje, como a proposta não teve retorno, no momento cabe ao MDB fazer o que já estamos fazendo, fortalecer a candidatura do Meirelles”, diz o ministro.

“Bem-estar” não se confirmou

No ano passado, quando ainda tentava se viabilizar como pré-candidato, Meirelles afirmava que a sensação de bem-estar social econômico seria o principal motor de sua candidatura. A pouco mais de um mês das convenções, no entanto, o economista se notabiliza como o candidato da máquina federal com o pior desempenho desde a redemocratização do país.

Em junho de 2002, o tucano José Serra, apoiado por Fernando Henrique, aparecia com 21% das intenções de voto no Datafolha, mesmo diante de um forte opositor, no caso, Lula. Em 2010, Dilma Rousseff, escolhida por Lula mesmo sem nenhuma experiência política, somava 37% segundo o mesmo instituto.

Dilma e Serra não contavam com o peso de carregar um governo com 3% de popularidade, o que revela o tamanho do desafio de Meirelles para convencer os 629 delegados do MDB a aprovar seu nome. A rejeição a Meirelles surge, principalmente, de emedebistas do Nordeste, contrários ao projeto de candidatura própria. O senador Fernando Bezerra (MDB-PE) acredita que o desempenho na área econômica compromete os planos eleitorais do ex-ministro.

“A piora do quadro econômico compromete toda a linha de argumentação de campanha. A pesquisa joga uma ducha de água fria nos argumentos que ele vinha construindo para sustentar sua campanha, que se baseavam na melhora da economia. Meirelles tem 30 dias para trabalhar. Se, em julho, ele vai chegar em uma posição melhor do que hoje e ter o nome aprovado na convenção? Vamos aguardar”, diz Bezerra.

O governo esperava que o lançamento de Meirelles desse refresco a Temer. A greve dos caminhoneiros, que provocou crise de abastecimento, acabou com essa expectativa. O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (MDB-SP), diz que a candidatura “ainda” não conseguiu mostrar os avanços na economia. “Há um mal-estar com a política, e a percepção sobre o presidente Temer, sobre o governo, recrudesceu muito em função de tudo isso que aconteceu com a greve dos caminhoneiros. O trabalho do Meirelles ainda não foi reconhecido. A inflação diminuiu, os índices da economia melhoraram, mas daí veio a greve. Temos que aguardar”, diz Mansur.

Meirelles minimizou ontem os dados do Datafolha. Para ele, a informação mais importante da pesquisa foi a constatação de que 38% dos entrevistados disseram acreditar que a situação econômica do país vai ficar como está, e 26% acreditam que poderá melhorar. “O importante é a expectativa individual dos brasileiros com a economia. É evidente que a condição econômica das pessoas e do país (com a geração de empregos e o controle da inflação) melhorou de 2016 para cá”, diz Henrique Meirelles.

Coordenador da campanha emedebista, João Henrique de Souza reconhece que as conversas nos diretórios do MDB ainda levantam dúvidas, mas acredita que o ex-ministro deve conseguir superá-las. “O Meirelles vai mostrar os números que ele recebeu na economia e os números que entregou quando saiu do ministério. E também a perspectiva que ele vê, que é positiva. Vai focar no que vai ser, não no que já foi, e mostrar que o pior já passou”, diz João Henrique

Com informações do Jornal O Globo