Quatro anos depois da eleição que rompeu a aliança entre PT e PDT no Ceará, o presidente regional do PDT, deputado federal André Figueiredo, fez uma autocrítica que pode reacender o debate sobre um dos momentos mais decisivos da política cearense. Em entrevista à Rádio CBN Cariri, André reconheceu que o partido errou ao não apoiar a então governadora Izolda Cela à reeleição em 2022, decisão que acabou provocando o rompimento entre os irmãos Cid e Ciro Gomes e sepultando a parceria histórica entre pedetistas e petistas.
Na avaliação de André, a manutenção da candidatura de Izolda teria evitado a crise política que se instalou no grupo e que atravessou as eleições de 2022, influenciou a disputa municipal de 2024 e ainda produz reflexos na campanha de 2026.
“Eu sinceramente, fazendo uma autocrítica, seria a melhor solução para o Estado. Nós não teríamos essa crise interminável. […] Eu acho que nós deveríamos ter, sim, apoiado a reeleição da nossa candidata Izolda Cela”, afirmou.
Apesar do reconhecimento do erro, André lembrou que, naquele momento, defendeu a candidatura de Roberto Cláudio ao Governo do Estado, escolhida pelo PDT sob a liderança do então presidenciável Ciro Gomes.
Segundo ele, o partido não dimensionou o impacto da aliança entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o então candidato ao Senado Camilo Santana na eleição estadual.
“Na época eu defendi com todas as minhas forças a candidatura do Roberto. Não imaginávamos que o efeito Lula, o efeito Camilo poderia ter uma ação tão forte como fez com que o Elmano fosse eleito no primeiro turno”, declarou.
Porta aberta para Ciro
Embora tenha deixado o PDT e hoje dispute o Governo do Estado pelo PSDB, Ciro Gomes recebeu de André Figueiredo um tratamento que chamou atenção nos bastidores políticos. Ao se referir ao ex-governador como “amigo”, o dirigente pedetista evitou ampliar as divergências e sinalizou que mantém uma relação política e pessoal construída ao longo de mais de três décadas.
“Ciro é meu amigo. Temos divergências, claro, senão estaríamos lado a lado. Ele saiu do PDT. Então o Ciro é uma pessoa que eu tenho relação de mais de 30 anos na política e tenho certeza que ele é um homem público exemplar.”
Ao mesmo tempo, André ponderou que o tom adotado por Ciro em campanhas eleitorais nem sempre contribui para o debate político.
“Às vezes, as palavras que ele exerce durante uma campanha eleitoral não são adequadas. Então eu não tenho dúvida que nessa eleição nós precisamos ter a sensatez de escolher candidatos que, evidentemente, têm uma postura equilibrada.”