O Brasil registrou, em 2024, uma redução histórica da fome, resultado direto do avanço de políticas públicas e ações de enfrentamento à insegurança alimentar. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,4 milhões de brasileiros ainda convivem com a fome, número que, embora expressivo, representa o menor patamar já registrado desde o início da série histórica, em 2004.
Na pesquisa anterior, de 2023, 8,6 milhões de pessoas viviam em situação de insegurança alimentar grave, o equivalente a 4,1% dos lares brasileiros. Em apenas um ano, 2,2 milhões de pessoas deixaram essa condição, reduzindo o percentual para 3,2% — o mesmo índice observado em 2013, período de maior estabilidade alimentar no país.
Quando somados os lares em situação grave e moderada, o total chegou a 7,7% em 2024, também o menor desde 2013. Em 2023, essa taxa era de 9,4%.
O levantamento faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PnadC), que acompanha a evolução da segurança alimentar nas famílias brasileiras. O estudo considera três graus de insegurança: leve, moderado e grave — abrangendo desde a preocupação com o acesso aos alimentos até os casos mais severos, em que famílias passam um dia inteiro sem comer ou crianças ficam sem refeições.
Apesar do avanço, o IBGE alerta que a insegurança alimentar ainda atinge 24,2% dos lares, somando todas as faixas. O percentual, embora inferior ao de 27,6% registrado em 2023, ainda supera o observado em 2013 (22,6%).
Após três anos de esforços, o Brasil voltou a sair do Mapa da Fome da ONU, mas o desafio de garantir alimentação adequada e permanente para todos ainda persiste. O governo federal aponta que o resultado reflete o impacto de programas de transferência de renda, incentivo à agricultura familiar e políticas de segurança alimentar, que voltaram a ter protagonismo no combate à pobreza extrema.
