Banco genético fortalece investigações e ajuda Ceará a liderar identificação de desaparecidos no país

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Uma gota de sangue, um fio de cabelo ou resíduos biológicos encontrados em cenas de crime podem ser determinantes para desvendar homicídios, localizar desaparecidos e identificar suspeitos. No Ceará, esse material analisado pela perícia criminal alimenta investigações e também integra o Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG), que já reúne 18.425 perfis inseridos pelo Estado até março deste ano.

O banco faz parte de uma rede nacional que conecta 22 estados e o Distrito Federal e permite cruzamentos de dados usados tanto em apurações criminais quanto em processos de identificação humana.

O avanço da genética forense também vem sendo acompanhado por investimentos em capacitação. Entre os dias 14 e 24 de abril, agentes de segurança e peritos participaram, em Fortaleza, de um curso voltado ao uso prático do DNA em perícias, com foco em análise genética, interpretação de perfis e critérios para alimentação do banco nacional.

Segundo a perita legista Tainá Osterno, do Núcleo de Perícia em DNA Forense da Pefoce, a atualização técnica é estratégica diante do avanço constante das metodologias e tecnologias aplicadas à área. A análise genética, afirma, vem ampliando a capacidade de resposta da segurança pública.

Um dos reflexos desse trabalho aparece na identificação de desaparecidos. O Ceará ocupa hoje a primeira posição no país nesse tipo de reconhecimento por cruzamento genético. Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, 28 pessoas foram identificadas a partir da comparação entre material genético de familiares e restos mortais não identificados. Outros nove resultados positivos surgiram em cruzamentos com perfis de pessoas condenadas.

O processo é feito com base em amostras fornecidas por parentes próximos — como pais, irmãos e filhos —, cujos perfis são inseridos no banco e comparados com registros existentes.

O desempenho também é atribuído ao reforço tecnológico. Desde janeiro de 2025, a Pefoce passou a utilizar o Spectrum, equipamento de alta capacidade que processa até 384 amostras de DNA ao mesmo tempo e é empregado em órgãos internacionais de investigação, como o FBI.

Combinando banco genético, tecnologia e formação técnica, o uso do DNA vem ampliando o alcance das perícias no Estado, tanto no enfrentamento ao crime quanto na resposta a famílias em busca de desaparecidos.