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A economia brasileira avançou 0,2% no segundo trimestre, frente ao trimestre anterior, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE. É o segundo trimestre seguido de crescimento frente ao trimestre anterior, após dois anos consecutivos de taxas negativas. No primeiro trimestre de 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) havia registrado alta de 1%, influenciado pelo bom desempenho da agropecuária. Frente ao segundo trimestre, o PIB cresceu 0,3%. É a primeira alta neste tipo de comparação após 12 quedas seguidas.

Após nove trimestres sem crescimento, o consumo das famílias avançou 1,4% frente ao início do ano e foi o principal responsável por impulsionar o desempenho no segundo trimestre. A expectativa de analistas do mercado financeiro era de que o PIB ficasse estável, com projeções que iam de queda de 0,5% a alta de 0,7%. O resultado veio acima da mediana das previsões, que era de estabilidade.

PARA IBGE, ‘AINDA NÃO É RECUPERAÇÃO’

O IBGE pondera que não trabalha com o conceito de recessão, mas, na avaliação da coordenadora de Contas Nacionais do instituto, Rebeca Palis, o país deu continuidade a um ciclo ascendente que começou a ser observado na segunda metade de 2016. No entanto, a especialista destaca que ainda não dá para chamar de recuperação.

— Ainda não (dá para chamar de recuperação). A gente vai ver que a gente está num ciclo ascendente da economia. A gente pode ver que a gente atingiu um vale no segundo trimestre de 2016 (no acumulado em quatro trimestres). Desde o segundo semestre de 2016 já é um ciclo ascendente — afirmou Rebeca.

>CONSUMO VOLTA A CRESCER APÓS 9 TRIMESTRES

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o consumo das famílias voltou a crescer após nove trimestres sem expansão e ajudou a impulsionar o PIB pelo lado da despesas, com alta de 1,4%. O consumo também registrou resultado positivo frente ao mesmo trimestre do ano anterior: avanço de 0,7%, também o primeiro resultado positivo em nove trimestres.

A liberação dos saques de contas inativas do FGTS é citada como um dos fatores que ajudaram a impulsionar o consumo das famílias do IBGE. Segundo o instituto, o dinheiro extra na economia se somou a outros fatores, como uma inflação mais baixa no período (3,6%) e o corte da taxa básica de juros, a Selic, para 10,9% (média do período), contra 14,1% no segundo trimestre de 2016. O IBGE cita ainda o crescimento nominal de 1,8% do saldo de operações de crédito para pessoas físicas.

— O consumo é, sem dúvida nenhuma, o maior destaque da economia, até pelo peso que ele tem, já que representa mais de 60% do PIB. Isso por um conjunto de fatores, como o crescimento real dos salários, que ainda estão sendo ajustados em relação às taxas de inflação antigas e maiores, além da queda dos juros e dos preços do consumidor, que cresceu bem menos neste trimestre em relação ao mesmo período do ano passado. Tudo isso, com o FGTS, fez com que o consumidor tivesse mais dinheiro no bolso para gastar — explicou Palis.

Apesar da contribuição importante desse consumo no segundo trimestre, o setor agropecuário continua sendo o principal destaque do ano. No semestre, o PIB ficou estável, graças à alta acumulada de 15% da agropecuária. O setor ficou estável no segundo trimestre, na comparação com o primeiro trimestre, porque a alta no primeiro trimestre foi muito intensa. Ou seja: o segmento manteve crescimento no mesmo ritmo.

A agropecuária também ajudou no setor externo, que teve contribuição positiva para o PIB, já que as exportações cresceram e as importações caíram, explica Rebeca:

— Há uma contribuição positiva com as exportações crescendo e as importações caindo. O que cresceu dentro das exportações foi a parte da agropecuária, que a gente está tendo uma safra recorde e a parte de petróleo e extrativa, que também são destaque da produção. O que puxou muito para baixo em importação foi a compra de máquinas e equipamentos. A importação de bens de capital caiu mais de 30%, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

INVESTIMENTOS DESPENCAM 6,5%

Indicador de investimento, a formação bruta de capital fixo (FBCF) registrou queda de 0,7% em relação ao primeiro trimestre, a quarta queda consecutiva, porém menos intensa que o recuo de 0,9% do primeiro trimestre. Frente ao segundo trimestre de 2016, os investimentos registram tombo mais forte, de 6,5%. Nesse tipo de cálculo, é o 13º resultado negativo do indicador. No acumulado em 12 meses, a queda acumulada é de 6,1% – a menos intensa desde o quarto trimestre de 2014, início da recessão.

O desempenho da indústria no resultado do PIB ainda é negativo. Frente ao primeiro trimestre, a retração foi de 0,5% e, na comparação com o segundo trimestre de 2016, a queda foi ainda pior: 2,1%. O recuo foi puxado principalmente pela queda do setor de construção, que recuou 7% em relação ao mesmo trimestre de 2016.

Também em relação ao trimestre logo anterior, o setor de construção teve queda de 2%, seguido de retração de 1,3% na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana. A extrativa mineral, que cresceu 0,4% em relação ao trimestre anterior, registrou alta de 5,9% ante ao mesmo período de 2016. A indústria de transformação manteve-se praticamente estável, com 0,1% em relação ao trimestre anterior, mas apresenta queda de 1% em relação ao mesmo período do ano passado.

Já o setor de serviços — com peso de 73,3% no PIB — cresceu 0,6% em relação ao trimestre anterior. A alta, contudo, ainda não foi suficiente para impedir a queda de 0,3% ante igual período do ano passado. A alta do setor foi puxada principalmente pelo comércio, que cresceu 1,9% em relação ao primeiro trimestre, seguido de atividades imobiliárias e outros serviços (0,8%) e atividade de transporte, armazenagem e correio (0,6%). Por outro lado, serviços de informação tiveram a principal queda, com retração de 2%, seguidos de saúde e educação pública (-0,3%) e intermediação financeira e seguros (0,2%).

A agropecuária se manteve estável em relação ao trimestre imediatamente anterior. Já em comparação com igual trimestre de 2016, o setor teve uma alta de 14,9%, puxada principalmente pela alta do milho (56,1%) e da soja (19,7%). O café, por outro lado, foi um dos principais produtos que puxou a taxa para baixo, como queda de 7%.

Com informações O Globo