Os primeiros discursos na 14ª Convenção Nacional do PSDB, na manhã deste sábado, foram na direção do lançamento do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, à presidência da sigla. Deputados fluminenses pregavam ainda o desembarque total do governo do presidente Michel Temer, sob o argumento de que a aliança com o PMDB nacional e do Rio tem sido desastrosa para os tucanos. Às 10h, falavam lideranças regionais, deputados estaduais, federais, prefeitos e vereadores da legenda.

O deputado Luiz Paulo (RJ) disse que queria marcar posição ao lado da antiga chapa de Tasso Jeiressatti (CE) — montada antes de a legenda se unir em torno da candidatura única de Alckmin. Luiz Paulo afirmou que gostaria de apoiar Alckmin, mas esperava que as urnas estivessem escancaradas para a disputa de duas chapas. E defendeu o desembarque do governo Michel Temer.

— Eu quero saber se é conciliação mesmo ou se continuará o partido dos “cabeças pretas” e o partido dos “cabeças brancas”. Eu sou careca, mas estou do lado dos “cabeças pretas” com um fundamento. Não há por que o PSDB estar no governo do PMDB, o mais impopular no Rio, que está nas páginas dos jornais. Espero que hoje tenha um desembarque completo — discursou ele, em referência à ala mais jovem da sigla, que defende há meses o fim da aliança com o PMDB.

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Já o vereador fluminense Tony Rios (RJ) afirmou que a sigla precisa sair da Convenção Nacional mais forte, sob o comando do governador paulista:

— O que é bom tem que voltar. Temos que sair daqui fortalecidos, porque nosso governador Geraldo Alckmin será nosso presidente em 2018.

Os discursos começaram com a defesa do nome de Alckmin para recolocar “o país no rumo”. O prefeito mineiro de Pedrinópolis, Antônio José Gundin, mencionou ainda o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

— O Fernando Henrique pegou esse país esculhambado e colocou nos trilhos. Como diz os matutos, e eu sou um matuto, é o Geraldo quem vai colocar esse país no rumo de novo.

Previsto para depois, o tom dos discursos dos caciques tucanos será o do fortalecimento da unidade e da conciliação entre os grupos que apoiaram as candidaturas do senador Tasso Jereissatti (CE) e do governador de Goiás, Marconi Perillo. Por enquanto, os delegados reclamam que não há uma lista de votantes.

DEPUTADO DEFENDE MEA-CULPA TUCANO

Na mesa, comandando os trabalhos, o deputado Eduardo Cury (SP) fez um apelo aos candidatos em 2018 para que tenham uma atuação determinada em resgatar a imagem do PSDB, com “tolerância e humildade”. Ele ressaltou a necessidade de fazer o mea-culpa dos erros tucanos, mas deixando claro que não há uma alternativa viável sem o PSDB em 2018.

— O PSDB passa por um momento difícil, sabemos que há os militantes incomodados, mas só existe uma forma de corrigir isso, que é a participação política. Se existem fórmulas mais rápidas, elas podem ser mais dolorosas lá na frente. O PSDB é um partido central e a palavra de ordem nesse momento é falar a verdade. Cometemos erros, mas não existe um projeto que não seja com a participação do PSDB ç discursou Eduardo Cury.

Com informações O Globo