A crise política envolvendo o PL do Ceará ganha dimensão nacional nesta terça-feira (30), em Brasília, durante reunião entre o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O encontro ocorre em meio ao agravamento das divergências internas sobre a estratégia eleitoral do partido no Estado.
Valdemar terá a missão de convencer Michelle a reduzir o tom das críticas e ajudar na pacificação do partido. O encontro acontece poucas horas após a ex-primeira-dama deixar de seguir nas redes sociais os enteados Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Jair Renan, gesto interpretado como mais um sinal do desgaste no núcleo bolsonarista.
Se arrancar um pacto com Michele para selar a paz no Clã Bolsonaro, Valdemar quer convencê-la, também, a participar, nessa quarta-feira (1º), de uma reunião que irá discutir projetos e ações para atrair a participação das mulheres na campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
ACORDO COM CIRO
O repórter Isac Rancine relata, no Jornal Alerta Geral, que, em meio aos conflitos no PL envolvendo a ex-primeira-dama, a orientação de Flávio Bolsonaro é para ser mantido o acordo firmado com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao Governo do Ceará.
Pela composição acertada, o PL apoiará a candidatura de Ciro ao Palácio da Abolição e, em contrapartida, garantirá a candidatura ao Senado do deputado estadual Pastor Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes, presidente estadual da legenda.
Foi justamente esse entendimento que desencadeou a crise interna. Michelle Bolsonaro defende o cumprimento de um acordo firmado em 2025, segundo o qual a vereadora de Fortaleza Priscila Costa seria a candidata do PL ao Senado.
Ao optar pela aliança com Ciro Gomes, o partido acabou inviabilizando o espaço pretendido por Michelle para Priscila, abrindo caminho para a formação de uma chapa composta por Ciro Gomes ao Governo do Estado, Roberto Cláudio na vice-governadoria e Pastor Alcides e Capitão Wagner (União Brasil) na disputa pelas duas vagas ao Senado.
Diante do impasse, Valdemar Costa Neto busca reduzir as tensões internas e reconstruir a unidade partidária. Além de tentar pacificar o conflito no Ceará, o dirigente nacional terá o desafio de reintegrar Michelle à estratégia nacional do PL e fortalecê-la na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026.
