O primeiro grito, a primeira agressão — quando não são interrompidos — podem se transformar na porta de entrada para um ciclo de violência. Foi o que aconteceu com a cirurgiã-dentista Gabriele Pessoa, de 25 anos, vítima de uma sequência de agressões que culminaram na prisão preventiva do ex-namorado.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, o corretor de imóveis Samuel Levi Rodrigues Saldanha, de 28 anos. Samuel, foi localizado e preso no bairro Rodolfo Teófilo, em Fortaleza.
SEQUÊNCIA DE AGRESSÕES
Segundo relato da vítima, o primeiro episódio de violência foi um chute na perna após como contestação a uma opinião contrária. Ao longo de dois anos de relacionamento, segundo Gabriele Pessoa, as agressões evoluíram para cenas recorrentes de violência física e psicológica.
Os crimes ocorreram ao longo do mês de maio e foram denunciados por Gabriele na Delegacia de Camocim, no litoral do Ceará, além de expostos por ela nas redes sociais. Em um desabafo publicado no Instagram, a dentista detalhou os momentos de medo e agressão vividos durante o relacionamento.
O caso mais grave aconteceu após o fim da relação, encerrada há cerca de um mês. Gabriele conta que, inconformado, o agressor invadiu a sua residência, na Praia de Tatajuba, em Camocim, e a manteve presa no próprio quarto e a agrediu por horas, tentando forçar uma reconciliação.
PESADELO
Gabriele relatou que, durante o período em que ficou trancada no quarto, todas as tentativas de pedir ajuda foram em vão. “A princípio, imaginei que fosse um pesadelo. Peguei o celular, falei com outras pessoas na casa, pedi ajuda, mas ele arrombou a porta e correu até o meu quarto. Tentei impedir, mas ele é mais forte”, contou.
Ainda com o celular em mãos, Gabriele ligou para a ex-sogra e colocou a chamada no viva-voz. “Ela chorava e implorava para que ele fosse embora, avisando que a Polícia estava a caminho. Mas ele não se importou com ninguém”, relatou. Mesmo com pessoas do lado de fora acionando a Polícia Militar, o agressor permaneceu no local e só saiu quando quis.
“Foi embora tranquilamente”, disse a vítima, ao lembrar que essa foi a primeira vez que buscou ajuda das autoridades.
MEDO, MAS IMPORTÂNCIA DA DENÚNCIA
Gabriele explicou que não havia denunciado antes por medo e também pelas promessas do agressor de que mudaria. “Ele me culpava, fazia eu acreditar que eu era responsável pelas agressões”, afirmou.
Segundo ela, chegou a evitar determinados assuntos para não provocar reações violentas, mas percebeu que o comportamento do ex-companheiro era imprevisível. “Não importava o que eu fizesse. Ele me agredia quando queria”, disse.
