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Às vésperas da votação do parecer que recomenda ao Plenário negar autorização ao Supremo Tribunal Federal para analisar denúncia contra Michel Temer, governo e oposição realizam sucessivas reuniões para traçar estratégias. A maior dúvida é se haverá, ou não, quórum suficiente para que o Plenário conclua a votação nesta quarta-feira.

O presidente da República, Michel Temer, foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, por crime de corrupção passiva nas investigações decorrentes da delação do empresário Joesley Batista, do grupo J&F. Cabe à Câmara decidir se autoriza, ou não, o Supremo examinar a denúncia.

Em um primeiro momento, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou parecer contrário à Solicitação para Instauração de Processo. A decisão final é do Plenário, em sessão marcada para as 9h desta quarta.

A presença de parlamentares da oposição é fundamental para dar andamento à sessão, já que a votação só pode começar com 342 nomes registrados em Plenário. Mas a oposição só concorda em votar a proposta quando quase todos os 513 deputados estejam presentes.

Expectativa
Vice-líder do governo, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS) disse estar confiante. “A oposição não tem nem perto os votos necessários para promover o afastamento [de Temer], e queremos os deputados apareçam para superarmos essa situação.”

Marun reconheceu, no entanto, que o quórum é incerto. “Se a oposição comparecer, a derrotaremos. Se fugir, governaremos, que é a obrigação que temos neste momento”, disse.

Outro vice-líder governista, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) foi incisivo. “Quero que a oposição tenha respeito ao eleitor, tenha coragem política e vote”, afirmou.

Perondi disse ainda que o parlamentar da base aliada que votar contra Temer sofrerá retaliações. “Tem que votar conosco, ou vai perder os cargos indicados. No PMDB, poderão ser expulsos”, disse.

Sem votos
Pela oposição, o deputado Chico Alencar (Psol-RS) avaliou que nenhum dos lados conseguirá o apoio de 342 deputados. Esse é o número mínimo de votos para autorizar ou não o Supremo a prosseguir com o caso – que poderá ser suspenso e só voltar a ser analisado pela Justiça quando Temer deixar o cargo.

“De fato, não temos 342 deputados para autorizar. Vamos tensionar ao máximo, mas não vamos dar quórum para o governo engavetar”, afirmou.

O líder da Minoria, José Guimarães (PT-CE), afirmou que o quórum em Plenário é responsabilidade do governo e que a oposição se empenhará para garantir 342 votos favoráveis à autorização. “Estamos avaliando milimetricamente.”

Segundo ele, PT, PCdoB, PDT e Psol também vão fazer obstrução para mudar o rito de votação previsto. “Esse rito resumido não é razoável. Os líderes precisam falar, e quatro de um lado e quatro de outro é pouco para uma coisa que o Brasil vai acompanhar. Votar à noite também é fundamental, para que os trabalhadores acompanhem”, disse.