O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), atribui a vantagem conquistada por Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial ao desempenho do candidato do PL nos três maiores colégios eleitorais do Sudeste — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — e às disputas estaduais acirradas nos principais estados do Nordeste.
Elmano afirmou que a definição das eleições para governador em estados nordestinos pode abrir mais espaço, no segundo turno, para a mobilização em torno da candidatura presidencial de Lula.
“Nos três maiores colégios do Nordeste, Bahia, Ceará e Pernambuco, as disputas foram muito acirradas. Agora, no segundo turno, temos condições de diminuir a diferença no Sudeste e ampliar a maioria no Nordeste, agora que a eleição de governador está resolvida nos maiores estados da região”, observa Elmano em declarações publicadas pelo Jornal O Globo.
DISCUSSÃO INTERNA SOBRE ERROS
Questionado sobre possíveis falhas na estratégia eleitoral de Lula no primeiro turno, Elmano reconheceu que há pontos a serem corrigidos, mas afirmou que essa discussão deve ocorrer internamente.
“Erros de campanha se discutem internamente. Evidentemente que tem erro da campanha, tem coisas para aperfeiçoar e melhorar, mas temos que tocar isso internamente”, disse.
MOBILIZAÇÃO NO 2º TURNO
Para o governador, a campanha do segundo turno deve concentrar o debate na comparação entre os governos Lula e Jair Bolsonaro, além da trajetória e das propostas dos dois candidatos que permanecem na disputa.
“O que interessa no segundo turno é comparar as duas experiências de governo, do Bolsonaro e do Lula. A vida de cada candidato, a história de Lula e a história de Flávio. E o ponto mais importante: o que vai fazer?”, declarou.
REAÇÃO A CRITÍCAS A JANJA
Na entrevista, o governador também reagiu à declaração de Kátia Abreu de que a campanha presidencial precisaria ter “menos Janja e mais Alckmin”.
Elmano classificou a afirmação como “uma tolice” e defendeu tanto a participação da primeira-dama Janja da Silva quanto a do vice-presidente Geraldo Alckmin na campanha.
“Uma tolice, que só serve para atrair câmera e ganhar manchete em jornal. Não ajuda em nada. A primeira-dama cumpre um papel importante, evidentemente que a figura central tem que ser a do presidente e é. A Janja cumpre um papel importante como o Alckmin. Todos têm que trabalhar e dialogar com a sociedade”, afirmou.
RENOVAÇÃO NO PT PÓS-LULA
Elmano foi questionado ainda sobre a renovação de lideranças no PT e no campo da esquerda após o atual ciclo político de Lula.
Para o governador, lideranças nacionais não são definidas apenas por decisões internas dos partidos.
“Liderança não se decide em gabinete nem em reunião partidária. Quem quer ser líder nacional tem que viajar pelo país e vivenciar as realidades nos estados”, disse.
Elmano também afirmou que projetos pessoais antecipados não garantem a consolidação de uma liderança nacional. “Quem se planeja para ser governador ou presidente é quase certo que não será. Tem que dar o melhor de si onde você está”, declarou.
FUTURO DE CAMILO
Perguntado especificamente sobre o senador Camilo Santana como eventual nome para assumir maior protagonismo nacional no futuro, Elmano afirmou que o aliado reúne qualidades para isso.
“O Camilo tem todas as qualidades para ser esse nome, assim como outros companheiros do PT como Alexandre Padilha, Fernando Haddad e Rui Costa”, afirmou.
Segundo o governador, entretanto, o principal desafio para quem pretende construir uma liderança nacional é conhecer de perto as diferentes regiões e realidades brasileiras.