Reeleito governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT) reconheceu que a esquerda precisa avançar na formulação e execução de políticas de segurança pública e defendeu um enfrentamento mais duro às organizações criminosas.
Elmano, ao ser questionado pelo Jornal O Globo, afirmou que o combate às facções será um dos principais desafios de sua nova gestão e propôs um grande acordo nacional, envolvendo inclusive governos e partidos de direita.
LACUNA NAA ESQUERDA! FRACASSO NA DIREITA!
“A direita faz uma propaganda de ataque à segurança e acho que há uma lacuna de elaboração da esquerda quanto à segurança pública”, afirmou o governador.
Elmano, entretanto, rejeitou a ideia de que o problema seja exclusivo dos governos de esquerda e citou o Rio de Janeiro como exemplo de estado administrado por forças políticas de direita onde as facções continuam com forte presença.
“O maior fracasso de segurança pública do país é da direita, no Rio de Janeiro. Chefes de facção do Ceará estão quase todos escondidos no Rio de Janeiro, onde as forças de segurança não são capazes de prendê-los”, declarou.
PROBLEMA NACIONAL
Para Elmano, o crime organizado deve ser tratado como um problema nacional, que ultrapassa as fronteiras dos estados e exige atuação coordenada entre União, governos estaduais e forças policiais.
“As facções não diminuíram seu poder quando Bolsonaro foi presidente. Mas isso não quer dizer que não temos que enfrentar isso como um grande desafio como um governo de esquerda”, afirmou Elmano, para, em seguida acrescentar: ‘’a esquerda elaborou pouco sobre políticas de enfrentamento’
Ao ser questionado sobre qual seria a principal deficiência da esquerda na segurança pública, Elmano fez uma autocrítica e defendeu mudanças importantes de posicionamento. “A esquerda elaborou pouco sobre políticas de enfrentamento”, disse.
MAIS PRESÍDIOS E LEIS MAIS DURAS
O governador afirmou, ainda, que considera necessário ampliar o sistema prisional, endurecer penas relacionadas ao crime organizado e mudar a forma como são tratadas ameaças feitas por integrantes de facções nos territórios.
“Precisamos deixar claro que o Estado precisa de mais presídios, que temos que endurecer as penas contra o crime organizado e que a ameaça feita por um faccionado em um território não pode ser tratada como uma discussão comum. Esse faccionado tem que ser preso e permanecer preso”, afirmou.
Para Elmano, governos de esquerda precisam incorporar de maneira mais clara uma política de repressão às organizações criminosas. “É preciso ter uma política de enfrentamento muito mais dura”, declarou.
Ao mesmo tempo, o governador disse que nem direita nem esquerda conseguiu, até agora, apresentar uma solução definitiva para o avanço das facções.
“A direita não resolveu a segurança em nenhum canto, como nós da esquerda também temos que reconhecer que não resolvemos”, afirmou.
UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS
O governador defendeu ainda a construção de um pacto que ultrapasse as divergências partidárias.
“Sou da tese de que devemos fazer um grande acordo nacional, inclusive com a direita, para enfrentarmos as organizações criminosas como o maior problema do Estado brasileiro”, disse.
Segundo Elmano, sua experiência à frente do Governo do Ceará modificou a própria percepção sobre a dimensão do problema.
“Acho que nós da esquerda devemos alterar muito significativamente o nosso entendimento porque é isso que estou vivenciando como governador. Temos que ter efetivamente a política de enfrentamento”, declarou.
AVANÇO E MENOS VIOLÊNCIA NO CEARÁ
Questionado sobre dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, que colocaram o Ceará entre os estados com maior número de mortes violentas e incluíram municípios cearenses entre os mais violentos, Elmano argumentou que indicadores mais recentes mostram uma melhora.
Segundo o governador, dados de 2026 do Ministério da Justiça colocariam o Ceará na 13ª posição nacional em índice de homicídios, enquanto Fortaleza teria deixado as primeiras posições entre as capitais mais violentas.
“Tivemos a maior redução de roubos e homicídios do Brasil, mas agora vamos atacar com força a situação de ameaça que as facções realizam nos territórios”, afirmou.
LEI ANTIFACÇÃO
Elmano também elogiou iniciativas do governo federal para ampliar a integração das forças de segurança.
Segundo ele, o presidente Lula acertou ao apoiar a chamada Lei Antifacção, aprovada pelo Congresso, e ao defender mudanças estruturais no sistema nacional de segurança pública.
O governador também manifestou apoio à PEC da Segurança Pública e à criação de um Ministério da Segurança Pública.
“A PEC da Segurança Pública é muito importante para integrar as forças. A PEC e a criação do Ministério da Segurança Pública, que desde o começo eu apoio, são importantes para uma nova fase desse enfrentamento”, afirmou.