Estudo aponta aumento de quase 40% na intensidade do El Niño

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Nas últimas quatro décadas, o fenômeno El Niño tornou-se quase 40% mais forte, comparado à era pré-industrial, no século 19. Segundo um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, as mudanças climáticas recentes têm amplificado uma das fontes mais importantes de eventos meteorológicos extremos no mundo, com riscos significativos de secas, inundações e incêndios florestais, além de impactos na agricultura e na saúde humana.

Fenômeno natural, o El Niño faz com que, em determinados anos, o Pacífico tropical fique mais quente do que o esperado. Normalmente, os ventos alísios sopram ao longo do Equador, de leste para oeste, empurrando a água aquecida da América do Sul em direção à Austrália. Porém, quando as rajadas enfraquecem, a água quente volta ao continente sul-americano, o que dá início ao evento.

No Pacífico, enquanto fortes chuvas deslocam-se para a porção central, a zona ocidental sofre com a seca. Essas flutuações não ficam restritas ao maior oceano do mundo, mas afetam o clima em todo o planeta.

Para entender as variações na intensidade do El Niño, os pesquisadores usaram uma espécie de biomarcador climático: amostras de corais. Foram coletados 13 nas Ilhas Galápagos, incluindo colônias vivas e blocos fósseis. Por ano, esses pequenos invertebrados crescem de 1cm a 2cm, secretando camadas de carbonato de cálcio. A composição química do material fornece um dos registros mais confiáveis da temperatura da água do mar. A ilha do Equador foi escolhida porque é onde o El Niño tem seu maior impacto.

Além de observar que os eventos aumentaram de intensidade recentemente, os cientistas calculam que, nas últimas quatro décadas, o El Niño foi mais forte do que qualquer um dos mil anos anteriores a 1850. Em meados do século 19, a industrialização começou a impactar o clima, com a emissão de gases de efeito estufa.