Fome infantil recua quase 30% no Brasil em um ano, mostram dados do MDS

Foto: Lyon Santos / MDS

O Brasil apresenta sinais consistentes de melhora no acompanhamento nutricional e na redução da fome entre crianças e adolescentes. Dados recentes associados às políticas públicas do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, combinadas ao fortalecimento de sistemas como o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional, apontam avanços nos indicadores de saúde alimentar.

O monitoramento nutricional na primeira infância ampliou alcance. Em 2022, 6,2 milhões de crianças menores de 5 anos tiveram peso e altura acompanhados na Atenção Primária à Saúde (APS). Em 2025, dados preliminares indicam 7,9 milhões — crescimento que evidencia a expansão da cobertura nos serviços públicos. No mesmo período, houve melhora nos indicadores de má nutrição: a magreza acentuada caiu de 2,8% para 1,8%, e a obesidade recuou de 6,4% para 5,7%. Os dados do SISVAN, compilados pelo Ministério da Saúde, serão consolidados em junho de 2026.

Segundo o IBGE, com base na Escala Brasileira de Insegurança Alimentar aplicada à PNAD Contínua, 3,6% das crianças e adolescentes de 0 a 17 anos viviam, em 2024, em domicílios com insegurança alimentar grave, ante 4,8% em 2023.

O país passou de cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes em insegurança alimentar grave, em 2023, para 1,8 milhão em 2024 — uma queda de quase 30% em apenas um ano. É o menor patamar já registrado na série histórica do IBGE, iniciada em 2004.

ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

Em fevereiro de 2026, os repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) foram reajustados, com aumento médio de 14%, somando-se à ampliação de 28% a 35% realizada em 2023. Atualmente, o programa atende 38 milhões de estudantes da rede pública, sendo 7,6 milhões na educação infantil.

Os dados mostram o impacto da escola na segurança alimentar. Em 2024, 8% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que frequentavam creche ou escola estavam em insegurança alimentar moderada ou grave. Entre os que não frequentavam, o índice era de 16%, o dobro.